Escola fantasma preocupa Presidente da República
09-02-2018 | Fonte: O País
O Presidente da República, João Lourenço, esteve ontem, desde as primeiras horas do dia, a passar a ‘pente fino’ o estado de diferentes obras e infraestruturas sociais da província de Luanda. No Zango, na zona da Vida Pacífica, o Chefe de Estado, na sua primeira deslocação de constatação, visitou uma cresce e um complexo escolar com mais de 134 salas “exposta às moscas” por motivos não revelados pela construtora SINFIC e pela Direcção Provincial da Educação, liderada por André Soma. A obra está concluída há anos. “A escola ainda não foi entregue ao Estado. 
 
Os habitantes chamam-na de “escola fantasma” “Com a visita do Chefe de Estado, nós estamos gratos, pois esta instituição é deveras importante, por possuir três escolas”, disse Soma, depois de um momento em que o Presidente falou, à porta-fechada, com responsáveis da SINFIC.
 
Sobre a capacidade do complexo, a escola primária tem 38 salas para atender a mais de três mil alunos; a do primeiro ciclo tem 40 salas para mais de 1650 crianças e a outra, do secundário, com 55 salas tem capacidade de albergar mas de 4 mil alunos, perfazendo um total de 130 salas de aulas. 
 
Entretanto, na mesma ocasião, o dirigente da Educação em Luanda manifestou preocupação quanto ao défice que se regista no distrito urbano do zango, na ordem de 236 salas de aulas, face a procura de mais de 25 mil crianças fora do sistema de ensino. Na lista de preocupações, André Soma não deixou de mencionar a falta de mais de 4 mil professores em Luanda. Já no distrito urbano de Neves Bendinha, O chefe de Estado angolano e a delegação ministerial que o acompanhou, na vala de drenagem Cazengo Curiango, tal como noutros pontos, constatou que as obras da rede de esgotos, drenagem, água potável, iluminação pública, canalização e telecomunicações, encontra-se paralisada há muito tempo, alegadamente por questões financeiras, segundo os responsáveis da referida empreitada.
 
Na ocasião, os futuros beneficiários, aproveitando a presença do mais alto magistrado da Nação, com destaque para os dos bairros da Vila Alice, Marçal e Terra Nova, exprimiram os constrangimentos resultantes da não conclusão da obra a tempo certo. “Nós passamos muito mal com estas obras inacabadas, para ir ao Golfe é um verdadeiro problema”, referiu Maria Sousa, uma das moradoras. 
 
Já a arquitecta Helena dos Santos, dos Serviços Técnicos e Infra- estruturas de Luanda, justificou a paralisação da obra apontando a questão da desapropriação de algumas famílias e o seu realojamento. Enquanto isso, para o director do Departamento Técnico de Saneamento de Luanda, Manuel Van- Dúnem, o essencial deve passar pelo processo de cadastramento actualizado das famílias que habita ao logo da vala, que antes apontava para 32 famílias, mas que a esta altura deve ter crescido. 
 
As obras, que tiveram início há seis anos, estão avaliadas em USD 136 milhões e compreendem uma extensão de 264 quilómetros de rede de saneamento. O dirigente concluiu insistindo na crise financeira e a retirada do Programa de Investimentos Públicos do presente ano como causas da referida paralisação dos trabalhos.
 
 
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