Depreciação do Kwanza suficiente para corrigir sobrevalorização
17-03-2018 | Fonte: Angop
A depreciação do Kwanza que ocorreu até agora é suficiente para corrigir a sobrevalorização da moeda que punha em causa os fundamentos de longo prazo da economia angolana, declarou, em Luanda, o chefe da missão do FMI, Ricardo Velloso.

O Kwanza depreciou-se de 09 de Janeiro último até agora 30 por cento face à moeda europeia e cada Euro vale agora 264,709 kwanzas, por força da adopção pelo Banco Nacional de Angola (BNA) do regime cambial flutuante, no quadro da implementação do Programa de Estabilização Macroeconómica para 2018.

Ricardo Velloso, que falava em conferência de imprensa de conclusão de duas semanas de reuniões dos especialistas do FMI com o Governo e instituições angolanas, no âmbito das consultas regulares ao abrigo do Artigo IV, disse haver muita pressão de curto prazo sobre a moeda nacional.

Por outro lado, o chefe da missão do FMI considerou também que a tarifa dos combustíveis precisa ser ajustada ao novo contexto da economia nacional, porque o preço destes produtos em moeda estrangeira aumentou no mercado internacional e Kwanza está fraco, devido à depreciação ocorrida nos últimos dois meses.

Para o efeito, segundo o economista, o Governo deve negociar com a Sonangol as margens para um possível aumento, um incremento que não deve ser brusco, mas paulatino ao longo do tempo, de modo a não criar efeitos nefastos sobre a economia.

Noutra vertente da sua intervenção, Ricardo Velloso considera oportuno que se faça um ajustamento aos salários, desde que tal aumento seja acompanhado pela taxa de inflação.

Embora não seja possível para o ano económico de 2018, uma vez que o OGE já foi aprovado, referiu que os aumentos reais dos salários devem se adequar à eficiência do sector público.

A missão do FMI, que trabalhou durante duas semanas em Angola aponta como previsões de crescimento para o país de 2,2 porcento, abaixo dos 4,6% das projecções do Governo e uma taxa de inflação de cerca de 24%.

Na quinta-feira, o ministro de Estado do Desenvolvimento Económico e Social, Manuel Nunes Júnior, afirmou que as projecções deste organismo internacional são positivas, na medida que apresentam uma evolução de 1,6%, na sua primeira previsão, para 2,2 porcento de crescimento económico e uma taxa de inflação abaixo do ano 2017.

No país, a missão do FMI manteve encontro com membros da equipa económica do Governo, Banco Central e Assembleia Nacional.

O FMI, de que Angola é membro desde 1989, é uma organização internacional criada em 1944, tendo como missão garantir a estabilidade do sistema monetário internacional, através de um Sistema de Vigilância Económica e Financeira mundial que visa consultar e monitorar regularmente o progresso das economias nacionais, identificando os principais factores de risco propiciadores de instabilidade económica ou financeira.
 
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