Angola terá centro agro-alimentar dentro de três anos
13-04-2018 | Fonte: Angop
O país vai ganhar, dentro de três anos, um Centro Nacional Agro-alimentar (CNA) para confecção, transformação, conservação e distribuição de bens alimentares produzidos localmente, tendo em conta as potencialidades agro-pecuárias de Angola.

Trata-se do maior centro agro-alimentar a nível do continente africano, que vai ser construído na zona urbana metropolitana de Luanda, nas proximidades da Centralidade do Kilamba, e criará mais de mil postos de trabalho, numa iniciativa do grupo empresarial italiano, Cremonini, representado pela Inalca, empresa que opera em Angola desde 1980 e líder no sector da carne bovina e na distribuição alimentar na Europa.

A infra-estrutura, a ser instalada numa área de 192 mil metros quadrados, está orçado em cerca de 200 milhões de dólares norte-americanos e estará ao serviço dos produtores e consumidores angolanos, que irão receber uma gama de produtos necessários para garantir a segurança alimentar da população.

Produtos como carne, peixe, cereais, farinha, óleo, frutas, legumes, entre outros fazem parte da lista de bens nacionais que serão transformados e processados neste centro, que prevê impulsionador a produção interna e reduzir as importações no país, segundo o presidente do grupo Inalca, Luigi Cremonini.

O gestor, que falava quarta-feira à imprensa, após o acto de apresentação do projecto de construção do CNA, afirmou que o sucesso deste desafio dependerá essencialmente do apoio institucional do Governo angolano, que deve criar incentivos dirigidos aos verdadeiros produtores e investidores, com vista a acelerar o processo da produção interna.

"Se o Governo angolano criar incentivos e apostar na inovação agro-pecuária e em outros sectores chaves da economia nacional, o projecto do CNA será um sucesso para ambas partes", afirmou Luigi Cremonini, tendo defendido a necessidade de cada agente económico exercer o seu papel, para que a produção em grande escala e a substituição das importações de bens alimentares sejam uma realidade em Angola.

Para melhorar o ambiente de negócios em Angola, afirmou, é necessário estimular, financiar e implementar uma política de criar empreendedores que produzem riqueza para o país e garantam o bem-estar da população.

Quanto a formação de quadros, o também empresário garantiu que a sua empresa está disponível a capacitar quadros angolanos na Itália, com vista a potenciar com mais conhecimento os operadores do sector agro-pecuário e outras áreas estratégicas do país.

Considerou, por outro lado, Angola como um país importante e estratégico para os empresários italianos, por possuir recursos agrícolas infinitos e ter uma potencialidade hidrográfica muito rica e atraente.

Na ocasião, o secretário de Estado para a Agricultura e Pecuária, Carlos Alberto Jaime Pinto, referiu que o surgimento do CNA vai obrigar o Governo angolano a acelerar o processo de produção interna do sector agro-pecuário.

Afirmou que o surgimento desta infra-estrutura vai ajudar o país a reduzir significativamente os níveis de importações de bens alimentares, principalmente da carne bovina, que nos últimos anos cifram-se em 300 mil toneladas.

Garantiu que o Executivo está empenhado na criação de condições e implementação de programas que visam estimular a produção nacional e captar o investimento privado.

A cerimónia de apresentação do projecto de construção do Centro Nacional Agro-alimentar contou com a presença do embaixador da Itália acreditado em Angola, Claudio Miscia, que se mostrou disponível a cooperar com as iniciativas empresariais dos dois países e continuar a reforçar as relações bilaterais entre os dois povos.

Nos últimos anos, a Inalca investiu em Angola pelo menos 50 milhões de dólares e emprega mais de 100 trabalhadores.

O grupo Cremonini, representado pela Inalca, foi fundado em 1963 e constitui-se num dos grupos mais importantes do sector alimentar na Europa, actuando em três áreas de negócios: produção, distribuição e restauração.

A Inalca é o líder europeu do sector da carne bovina e um dos primeiros produtores de enchidos, que opera em mais de 70 países do mundo.
 
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