Leasing perde terreno no sistema bancário
16-04-2018 | Fonte: Mercado
O leasing é um instrumento financeiro em risco no sistema bancário, tendo em conta o actual cenário macroeconómico, que exige dos bancos comerciais a adopção de medidas operacionais para suportar os efeitos adversos da crise, defendem especialistas ouvidos recentemente pelo Mercado.“Alguns bancos comerciais viram-se obrigados a abdicar da oferta de alguns produtos e serviços financeiros, dos quais está incluído o leasing”, afirmou Daniel Santos, consultor, alegando que é uma das formas encontradas para reduzir os custos operacionais, num momento “particularmente complexo da economia angolana”, disse.
 
Apesar da importância do leasing, “sobretudo nos mercados avesso à intermediação bancária, que é o caso de Angola, os bancos de grande dimensão não o têm, com excepção do Banco Millennium Atlântico (BMA); mas foi graças a recente fusão dos Bancos Millennium Angola (BMA) e Privado Atlântico (BPA) ”, declarou.
 
A locação financeira como também é designado o leasing, foi introduzido no mercado bancário angolano pelo extinto Banco Espírito Santos Angola (BESA), hoje Banco Económico (BE), que na “época era a maior instituição bancária, no segmento privado, cujo objectivo na implementação de produtos inovadores no sistema”, informou o consultor.“Este instrumento financeiro, relevante para a dinamização do crédito na economia é assegurado por alguns bancos comerciais de pequena dimensão em dificuldades, face às novas exigências regulamentares, implementadas pelo Banco Nacional de Angola (BNA), tendo em conta a nova conjuntura macroeconómica”, afirmou Daniel Santos. 
 
O novo regulamento do BNA determina que os bancos comerciais devem no mínimo ter 7,5 mil milhões Kz de capital social, até 31 de Dezembro de 2018. Devem ainda reforçar os fundos próprios regulamentares e o rácio de solvabilidade regulamentar.“Por mais que se negue, muitos bancos de pequena dimensão irão desaparecer”, declarou o consultor.
 
Leasing na economia  
 
Na opinião de Jorge Martins, especialista em crédito especializado, no mercado angolano o leasing e factoring estão somente disponíveis para negócios domésticos, “neste sentido a escassez cambial tem impacto na actividade”.Apesar da difícil conjuntura, segundo Jorge Martins, o crédito especializado (leasing e factoring) tem um papel fundamental, principalmente nos momentos de crise, porque contribui para mitigar o risco de crédito e poderá oferecer uma solução mais adequada para as necessidades dos empresários.“É comum associar o produto de leasing ao mercado automóvel. Contudo, é uma excelente ferramenta para investimentos agrícolas, industriais e até imobiliários”, enumera Jorge Martins, acrescentando: “É em momentos de menor liquidez que o factoring verifica as maiores taxas de crescimento, já que os clientes terão uma linha de financiamento ajustada ao prazo médio de recebimento.”
 
Desafio do mercado
 
De acordo ainda com o especialista, o lançamento de uma operação de leasing com foco exclusivo no mercado automóvel poderá ter um sucesso limitado face à actual conjuntura macroeconómica, agravada pela escassez de divisas no sistema cambial.“Seria redutora esta opção, quando o produto permite financiar inúmeros bens, muitos disponíveis no nosso mercado”, diz Jorge Martins, para mais adiante afirmar qualquer “leasing tem maior expansão em ciclos económicos positivos, enquanto o factoring tem maior penetração em períodos mais adversos”. 
 
Para o consultor, o leasing está muito ligado ao investimento, mas “no nosso mercado continuam a surgir propostas muito interessantes que me levam a concluir que poderá agregar valor o lançamento destes produtos pela banca nacional”.Formação de técnicos Por se tratar de produtos inovadores, Jorge Martins acredita que poderá ser desafiante reunir competências técnicas necessárias para a implementação destas soluções.
 
 
 “Estes produtos, onde incluo também o confirming, são ferramentas de sucesso em todas as geografias, tendo uma significativa penetração nos países do Norte de África”, declara.Nos mercados mais maduros, segundo o perito em crédito especializado, o volume anual da produção de factoring atinge valores superiores a 10% do PIB.“No mercado angolano, ainda estamos na fase de divulgação, com poucos bancos a comercializar estas soluções, pelo que, diria, o principal desafio traduzir-se-á na difusão e partilha do conhecimento destes produtos junto do nosso ecossistema económico”, prevê Jorge Martins.Face à relevância do crédito especializado na economia, o BNA realizou, em Agosto de 2017, um seminário sobre a operacionalização do leasing e do factoring, tendo prometido a revisão da lei que regula aqueles produtos.
 
 
Comentários
Quer Comentar?
Nome E-mail ou Localização
Comentário
Aceito as Regras de Participação
Foto-Destaque
Foto-Destaque
Questionário