Angola vai importar este ano mais 30% de trigo, estima o Departamento de Estado dos EUA
18-04-2018 | Fonte: Angop
A importação de trigo por Angola vai crescer este ano entre 20 e 30 por cento, num ano em que a África subsaariana emerge como a região do mundo onde o consumo deste cereal mais vai crescer, cerca de 17 por cento.

De acordo com os dados divulgados recentemente pelo Departamento de Estado da Agricultura dos Estados Unidos da América, as exportações de trigo vão chegar, entre 2017 e 2018, ao recorde de 181 milhões de toneladas e a África subsaariana é a região que mais vai contribuir para este aumento do consumo, com Angola a surgir entre os países que mais vão aumentar as suas importações.

Uma das razões apontadas para este crescimento é o facto de o mundo estar a assistir a um ano excepcional para a produção deste cereal, com a produção dos grandes celeiros globais, como a Rússia, a bater recordes e a preços mais baixos que o normal.

A par dessa realidade, surge ainda como importante para este aumento da procura de trigo o facto de o pão feito a partir da farinha deste cereal estar a ganhar terreno em África face a outros alimentos no que diz respeito à dieta básica, nomeadamente a mandioca, o inhame e mesmo o milho, essencialmente quando se revela mais barato importar trigo que produzir os outros alimentos localmente.

A lista dos países subsaarianos que mais trigo vão importar é liderada pela Etiópia, devido à seca severa que o país atravessa há vários anos, e a África do Sul, igualmente devido à seca, que impossibilita este tradicionalmente importantes produtores de cereais, com crescimentos de 70 e 60 % respectivamente.

Mas na segunda linha surge Angola, acompanhada do Quénia e da Tanzânia, cujas importações vão crescer entre 30 e 30 por cento.

Segundo o Boletim Estatístico do terceiro trimestre do Conselho Nacional de Carregadores (CNC), citado pelo Observatório África, a quantidade de farinha de trigo importada por Angola em 2016 foi de 149.800,83 toneladas e registou um aumento de 43.821,34 toneladas relativamente ao ano 2015.

Este cenário contrasta com a realidade de anos anteriores, onde a África subsaariana era um mercado pouco relevante para a exportação de trigo, sendo os grandes importadores tradicionais a África do Norte, o que não sucedeu este ano, apesar das 27 milhões de toneladas importadas, porque Marrocos e Argélia também viram este ano crescer as suas produções locais.

O maior consumidor global, por regiões, é o sudeste da Ásia, com 28 milhões, ficando ligeiramente atrás destas duas sub-regiões, África do Norte e sudeste asiático, a África subsaariana, com 26 milhões de toneladas, à frente do Médio Oriente, com 25 milhões.
 
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