Sindika Dokolo: Das "invejas" aos "nervos de aço de JES", passando pela investigação a Zénu
24-04-2018 | Fonte: Revista Jeune Afrique/NJ
A saída de José Eduardo dos Santos da Presidência da República foi acompanhada do afastamento dos seus filhos de cargos-chave no país e de negócios com o Estado angolano, situação que Sindika Dokolo, genro do ex-Chefe de Estado, associa a "invejas". Em declarações à revista Jeune Afrique, o marido de Isabel dos Santos analisa o actual momento que se vive em Angola, e lembra que o sogro saiu da Cidade Alta porque quis.

Durante os 38 anos de presidência de José Eduardo dos Santos, os seus filhos eram vistos como intocáveis, estatuto que o novo Chefe de Estado, João Lourenço, fez questão de alterar. Da exoneração de Isabel dos Santos da Sonangol, ao afastamento de José Filomeno do Santos da liderança do Fundo Soberano, passando pela ruptura de contratos de empresas estatais com firmas detidas por Tchizé dos Santos e Coréon Du, o afastamento dos "Dos Santos" avançou em toda a linha.

Apesar de não carregar o apelido que durante quase 40 anos governou Angola, Sindika Dokolo está bem familiarizado com o seu peso, através do casamento com Isabel dos Santos.

"Foi José Eduardos dos Santos quem quis esta mudança. Não sei se a antecipou desta forma, mas ele tem nervos de aço e sentido de dignidade", assinala Dokolo, em declarações à Jeune Afrique.

Questionado sobre os efeitos para a família da saída de JES da presidência, o coleccionador de arte defende que "a superexposição de certas pessoas próximas do poder criou invejas".

O marido da mulher mais rica de África acredita, contudo, que a Justiça prevalecerá, e lembra que há limites à actuação do Presidente João Lourenço: "O país dispõe de instituições fortes. A Justiça fará o seu trabalho. Confio nisso".

Sindika Dokolo destaca igualmente a postura do cunhado Zénu, no âmbito da investigação de que está a ser alvo na Procuradoria-Geral da República. "Colocou-se imediatamente à disposição da Justiça, atitude que saúdo".

O coleccionador de arte reconhece ainda que é importante que o poder afirme a sua autoridade, mas defende que o exercício escrutinador deve ser mais abrangente. "Se fôssemos julgar verdadeiramente os últimos 40 anos, um número muito mais elevado de pessoas seriam visadas", aponta Dokolo.
 
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