UNITA defende revisão do OGE com a subida do preço do petróleo
09-05-2018 | Fonte: Novo Jornal
O Orçamento Geral do estado (OGE) para 2018 foi elaborado e aprovado com base no barril de petróleo a 50 dólares norte-americanos mas o valor médio desde Janeiro situa-se próximo dos 70 - hoje está a ser vendido a 75,5 USD -, o que resulta num excedente de 20 dólares, situação que a UNITA entende ser suficiente para avançar com uma revisão do OGE.

Esta posição da UNITA foi defendida ontem na província da Huila pelo vice-presidente do partido, Raúl Danda, argumentando que o OGE 2018 foi feito com base no preço do petróleo a 50 dólares o barril, mas o barril de crude atingiu os 75 dólares, existindo um remanescente que pode ser usado para responder às enormes dificuldades existentes nas áreas da saúde e da educação.

"Ontem, segunda-feira, o valor do barril do petróleo nos mercados internacionais ultrapassou os 75 dólares. Urge rever o OGE", afirmou o vice-presidente da UNITA, defendendo que "o Governo deverá ir ao Parlamento dizer como é que vai gastar este dinheiro".

Com o barril a ser vendido a 75 USD, o Estado angolano consegue, face aos valores contidos no OGE, um suplemento diário superior a 40 milhões de dólares norte-americanos, o que corresponde a 25 dólares multiplicados pelos cerca de 1,6 milhões de barris de crude exportados diariamente.

Refira-se que o petróleo atingiu ontem os valores mais altos desde Novembro de 2014 na abertura do mercado de Londres, Brent, que serve de referência às exportações angolanas, que estavam assim a valer mais 25,63 dólares norte-americanos por barril que os 50 USD com que o Governo elaborou o Orçamento Geral do Estado para 2018.

Com o barril a ser vendido a 75,64 USD, apesar de ligeiras alterações, para cima e para baixo, no decorrer do dia, Angola surge no mapa global dos exportadores de crude como um dos que mais está a beneficiar do contexto de incerteza mundial, seja o aproximar de uma possível nova crise entre o Irão e os EUA, seja devido à queda abrupta na produção da Venezuela, forjada na crise política interna que aquele país sul-americano e um dos três com maiores reservas em todo o mundo, atravessa.

A baixa da produção venezuelana, que passou de quase 3 milhões de barris por dia (mbpd) há 10 anos, para os actuais 1,5 mbpd, é, alias, a primeira da lista de razões que os analistas citados pelos sites e publicações especializadas apontam para o actual fluxo de dólares para cada barril vendido.

Mas as sucessivas crises no Médio Oriente, como a questão actual da eventual denúncia pelos EUA do acordo nuclear assinado com o Irão, têm estado a ajudar a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP), de que Angola faz parte, e um grupo de produtores liderados pela Rússia, que desde Janeiro de 2017 cortaram 1,8 milhões de barris por dia à sua produção global com o objectivo de fazer o preço do barril subir e equilibrar os mercados, à época com um excedente considerável de produção.

Recorde-se que no início de 2016 o barril chegou a estar cotado a menos de 30 USD.
 
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