RDC: Ébola chega a província do Equador
16-05-2018 | Fonte: RFI
A mais recente epidemia de Ébola na República Democrática do Congo (RDC) começou numa zona remota e despovoada da província do Equador, em Bikoro, há cerca de 15 dias, levando a Organização Mundial de Saúde (OMS) a organizar uma resposta de urgência para evitar que o vírus chegasse a Mbandaka, a capital provincial, onde mais de 700 mil pessoas vivem em condições propícias a um perigoso alastramento desta doença hemorrágica.

Com cerca de 40 casos registados como contaminações de facto ou suspeitas de contaminação, com pelo menos 20 mortos confirmados na zona de Bikoro, próximo da fronteira com o Congo-Brazzaville, nas margens do Rio Congo, que flui para Angola, e apesar do forte dispositivo técnico e humano enviado para o local pela OMS, Médicos Sem Fronteiras (MSF), UNICEF e autoridades congolesas, impedir que a epidemia alastrasse para a cidade de Mbandaka era tarefa difícil, como acabou por se verificar.

Há já, segundo dados divulgados pelas equipas no local, pelo menos três casos registados em Mbandaka, que estão a ser alvo de confirmação em laboratório, bem como o reforço dos meios de contenção na capital provincial do Equador, uma urbe com escasso saneamento básico e com as condições ideias para a propagação rápida do vírus devido aos pobres mas densamente povoados bairros nela existentes, onde as condições sanitárias são claramente más. A OMS, logo após a notificação oficial dos primeiros casos de Ébola em Bikoro, no dia 08, embora os casos suspeitos tenham surgido antes, no dia 03, admitiu que se estava a preparar para "o pior dos cenários".

Essa situação seria o alastramento da doença para zonas densamente povoadas, abrindo caminho à repetição de uma situação semelhante à que sucedeu em 2014, na África Ocidental, onde mais de 11 mil pessoas morreram e dezenas de milhar focaram com sequelas da doença, com especial incidência em países como a Serra Leoa, Libéria e Guiné-Conacri, tendo a OMS, na altura, sido severamente criticada pela reacção tardia à epidemia.

Desta feita, a resposta foi imediata, praticamente produzida num espaço de horas para a chegada das primeiras equipas, com uma melhor organização entre a OMS, os MSF e as equipas sanitárias nacionais, com mais de 3,5 milhões de dólares reunidos para aquisição imediata de equipamento que a região não dispunha.

No entanto, a chegada, a confirmar-se, do vírus a Mbandaka, pode constituir o primeiro furo na malha montada em torno do epicentro da epidemia, com consequências que, para já, é cedo para antecipar.

Isto, porque o Ébola é um vírus que se propaga através de algumas práticas culturais difíceis de suspender em algumas regiões de África, como sejam, entre outos, o toque com os lábios nos corpos dos mortos e os rituais de lavagem dos cadáveres, que são algumas das principais causas da dispersão da doença.

O Ébola tem nos fluídos corporais e secreções a principal via de contaminação.

O recurso a uma vacina experimental, que deu bons resultados em laboratório, está a ser enviada para a região, embora o Governo de Kinshasa ainda não tenha autorizado a sua utilização para fazer face à 9ª epidemia de Ébola que atinge o país desde que foi descoberto, em 1976, também neste país.
 
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