Estará o Governo a mudar de paradigma e aproximar-se dos cidadãos?
20-05-2018 | Fonte: DW
À falta de outros locais onde se podem expressar livremente, muitos angolanos recorrem às redes sociais para fazer denúncias e criticar várias políticas do Governo. Recentemente, muitos cidadãos levaram a cabo no Facebook a campanha denominada "Acaba de me matar", para protestar contra a falta de infraestruturas para enfrentar as chuvas, no princípio do ano. Muitos jovens divulgaram na internet imagens em que se fingiam de mortos, com blocos de cimento, pedras ou livros em cima da cabeça ou do peito. O protesto tornou-se viral. Segundo o ativista Arante Kivuvu, a ação aflorou também outros temas.
 
Não há no país uma cultura de aproximação entre governantes e governados. Arante Kivuvu, um dos ativistas visados no processo dos 15+2, diz, por exemplo, diz que nunca falou com nenhum membro do Governo, seja na internet, seja na vida real - mas já falou com deputados da oposição.
 
"Um governante não, mas várias vezes já conversei com os deputados no Facebook onde consegui transmitir a minha ideia sobre a necessidade do bem comum", explica.
 
 
Mas o distanciamento entre governantes e governados pode ter os dias contados. O Governo anunciou que vai criar mecanismos de contacto com os cidadãos nas redes sociais. A notícia foi anunciada por Frederico Cardoso, ministro de Estado e Chefe da Casa Civil do Presidente da República de Angola.
 
 
"O Governo está a desenhar uma estratégia de comunicação institucional específica, que lhe permite comunicar com eficácia neste meio, informar convenientemente o cidadão, mobilizá-lo para os grandes reptos da nação e salvaguardar os interesses atinentes à afirmação de Angola em África, e no mundo".
 
 
O Governo não descreveu, em concreto, em que plataforma, nem como vai falar com os cidadãos.
 
 
O jornalista Jorge Neto entende, no entanto, que o Governo já vem tarde.
 
 
"A sociedade angolana já anda nas redes sociais há mais de sete ou oito anos. É importante também dizer que, há agora um novo paradigma no que tange à governação de Angola. O atual Presidente João Lourenço, aquando da campanha eleitoral criou uma página no Facebook onde as pessoas interagiam."
 
 
Mas será que haverá mesmo mudanças e que os governantes vão passar a falar diretamente com os governados nas redes sociais? Contam-se pelos dedos os governantes ou deputados do partido no poder que usam as redes sociais para passar informação aos cidadãos sobre a governação. O jornalista Jorge Neto acredita, por isso, que este anúncio é "para inglês ver".
 
 
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