Lourenço escolhe França para primeira deslocação na Europa
24-05-2018 | Fonte: Novo Jornal/Angop
Provavelmente por causa da crise diplomática que agora chega ao fim com Portugal, fica o facto de João Lourenço, depois de ter realizado visitas oficiais à África do Sul, a primeira do seu mandato, esteve na Zâmbia e na Namíbia, o primeiro país onde vai estar com carácter oficial é a França, onde vai iniciar uma deslocação já a 28 de Maio próximo.

Essa visita a França foi confirmada pelo ministro dos Negócios Estrangeiros, Jean-Yves Le Drian, no início deste mês, quando esteve em Luanda e foi recebido pelo Presidente João Lourenço, na Cidade Alta, em Luanda.

A partida de João Lourenço para França coincide no tempo histórico com a retoma das actividades da Agência Francesa para o Desenvolvimento em Angola, e com a multinacional petrolífera gaulesa, Total, a ser uma das poucas com investimentos de monta no sector produtivo de crude no país.

É exemplo disso o multimilionário investimento de 3 mil milhões USD feito no projecto Kaombo, no Bloco 32, onde se estima estarem 660 milhões de barris e com potencial de produção diária superior a 230 mil barris, essenciais para contrariar a tendência decrescente da produção nacional, que, como adverte a Agência Internacional de Energia, até 2023 vai passar dos actuais 1,6 milhões para 1,29 milhões de barris por dia.

Para além disso, como recorda a Angop, a carta em que o Presidente francês endereça o convite ao seu homólogo angolano, é proposta uma discussão e análise conjunta aos problemas que afetam a região dos Grandes Lagos, com destaque para a República Democrática do Congo e a República Centro-Africana.

Angola conta ainda com a França para o desígnio que é a diversificação da economia nacional, ainda fortemente dependente das exportações de crude, aproveitando a larga experiência das instituições francesas vocacionadas para a cooperação com África nas áreas da agricultura e agro-indústria.

Apesar de um certo arrefecimento do interesse dos países europeus por Angola, alimentado pela transição política que ocorreu no último ano, onde José Eduardo dos Santos saiu e João Lourenço chegou à Cidade Alta, e pela queda abrupta do valor do petróleo nos mercados internacionais, agora, com a estabilização governativa e com o barril de crude novamente a aproximar-se dos 100 USD, Luanda está de novo a caminho de se transformar no "el dorado" para as empresas europeias, e, em especial, para as portuguesas.

No entanto, como admitiu ao Novo Jornal Online um empresário português com décadas de presença em Angola, esta crise provocou, ou deverá provocar, uma mudança de postura de Portugal face a Angola, porque o país atravessa "claramente uma nova realidade política e porque as autoridades de Luanda querem, efetivamente, que a cooperação com Portugal se traduza clara mais valia para os seus objectivos mais importantes, como é o caso da libertação da dependência do petróleo".

"Isso significa - no entender deste empresário português - que as empresas, e o próprio Governo português vão ter mesmo de começar a olhar para Angola mais como um local para investir e não para exportar os seus produtos com lucros avultados mas com escassa participação no esforço de diversificação da economia angolana".
 
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