Munícipes lamentam ausência da FILDA no Cazenga
11-07-2018 | Fonte: DW
Alegria de um lado e descontentamento e saudosismo do outro, nomeadamente, dos munícipes do Cazenga. São lamentações dos filhos deste município onde se encontram as instalações que durante mais de 30 anos albergaram a Feira Internacional de Luanda, que há dois anos é organizada em outras instalações. Este ano decorre na Zona Económica Especial Luanda-Bengo.
 
Vicelmo Fernandes reside no Cazenga há mais de 20 anos. Para ele, a FILDA não é simplesmente uma estrutura, é uma parte de si. O jovem recorda com nostalgia os bons momentos que a instituição já lhe proporcionou.
 
"Ainda me lembro quando mais novo, aos 10 anos, nós brincávamos lá de apanhar gafanhotos. A par disto, era uma zona de lazer, porque a FILDA sempre foi uma zona de eventos, uma zona em que se realizavam espectáculos musicais. De fato, de lá saíram mesmo boas memórias. O Cazenga perde uma porta de entrada, perde grandes momentos de lazer," reclama. Para Vicelmo, a situação é bastante preocupante, pois, a única coisa que restou da FILDA é apenas o seu nome.
 
 
 
"Hoje em dia, não há quase nada da FILDA. A única coisa que restou da FILDA é só o nome. E isto pode contribuir para o aumento da delinquência, porque os delinquentes têm sempre desta, gostam de espaços abandonados," preocupa-se.
 
 
 
A par de Vicelmo, Abelardo também viveu estes momentos. Mas lamenta o estado de degradação em que o local se encontra atualmente. Um espaço de mais de 30.000 metros quadrados, que já proporcionou bons dias aos moradores do Cazenga.
 
 
 
"Hoje [o local onde era realizada] a FILDA é mais um berço de malfeitores do que propriamente uma Feira Internacional de Luanda. É um local que já não proporciona prazer para a sua frequência, sobretudo no período noturno. Aparenta ser mais um guardião dos amigos do alheio," avalia.
 
 
"É comum vermos jovens fazerem desmandos, a fumarem, a beberem. Funcionamento administrativo já não vemos, creio que a última vez que eles organizaram um evento foi há dois anos. De lá para cá, já não vemos nada. Já não há guardas, aquilo está livre," descreve.
 
 
Perdas e apelos
 
 
E se esta é a realidade da estrutura que já acolheu inúmeras entidades colectivas e singulares, nacionais e internacionais, então só resta o apelo de Augusto Francisco, residente há 18 anos neste município, tido como dos com elevado índice de criminalidade em Luanda.
 
"A FILDA acaba por ser um património do Cazenga. Sendo um património, nós não devemos deixar morrer, deveríam reestruturar a estrutura que ainda está, porque a FILDA é um património do Cazenga. O espaço ainda existe, nós não devemos deixar morrer," apela.
As instalações onde era realizada a Feira Internacional de Luanda, no Cazenga, estão em estado de degradação - sem alguma intervenção do Executivo angolano.
 
 
Comentários
Quer Comentar?
Nome E-mail ou Localização
Comentário
Aceito as Regras de Participação
Foto-Destaque
Foto-Destaque
Questionário