Pagos sem fazer nada
26-07-2005 | Fonte: Angolense
Os deputados angolanos ganham qualquer coisa como três mil e quinhentos dólares norte-americanos, muitos deles sem nunca terem dito uma palavra sequer na casa das leis, pelo que recebem tal salário apenas para levantar o braço, algumas vezes por mês, quando algum assunto é submetido à aprovação, noticia o Jornal Angolense.

De acordo com a fonte, o salário base de um deputado é de 112.927.50 kwanzas, mas a quantia acaba acrescida porque os mesmos recebem ainda um valor de participações e prémios, subsídio de abono familiar, apoio para as despesas de representação, pagamento de renda de casa e ainda um extra para a remuneração de quatro empregadas domésticas.

A primeira vista, escreve o jornal, esse pagamento parece apenas um salário justo para pessoas que desempenham altas funções de Estado e que, aparentemente, são os representantes do povo. Mas, tal não se verifica no caso de muitos deputados, conhecidos pelo seu fraco desempenho naquela casa das leis. Esse comportamento valeu já, de acordo com o Angolense, um apelido jocoso para o local onde se sentam os deputados que habitualmente acomodam-se nas últimas fileiras da Assembleia Nacional e que, normalmente, “entram mudos e saem calados”: trata-se do chamado canto dos Kaitos”.

Esses incómodos lugares são ocupados, na sua maioria, por figuras que não estiveram ao longo da vida directamente ligadas à política, razão pela qual se têm mantido caladas ao longo dos tempos. “Nessa área temos, principalmente, o núcleo de cantores, desportistas e escritores, composto por figuras como Jacinto Tchipa, Palmira Barbosa Osvaldo Saturnino de Oliveira Jesus e o escritor Lupito Feijó”, explicou ao Angolense um deputado que se escudou no anonimato para, como frisou, evitar dissabores com os colegas.

No quadro dos deputados “fantasmas” importa ainda registar o caso dos partidos que têm apenas um representante na Assembleia Nacional, por incrível que pareça, raramente dizem algo. “Bengui Pedro João é um deles”, explicou um outro deputado. Outro deputado de quem se cobra mais trabalho é Rui Augusto, do PNDA. “Esse nunca abriu a boca”, disse ao Angolense um colega seu em meio de uma sonora gargalhada.

O mesmo se passa com Rui Augusto do PRD, que certamente não faltaria em uma selecção dos “deputados mudos”. Sobre o assunto, muitos dos deputados ouvidos pelo periódico que vimos citando, apontam a fraca formação de vários parlamentares como estando na base do problema.

Porém, em verdadeiro contraste aos deputados que têm no silêncio a forma de representar o povo na AN sem voz, está o núcleo duro da casa das leis, composto por deputados muito populares e que, normalmente, dominam as sessões plenárias e até dão a sua contribuição nas várias comissões de especialidade.

Na bancada maioritária, destacam-se nomes como os de Bornito de Sousa(líder da bancada), Norberto dos Santos Kwata Kanawa, Adelino de Almeida, Mendes de Carvalho, André Passi, Bernarda da Silva, João Maimona, José Maria dos Santos, Assunção Vaikeni, Teresa Cohen e Ferreira Nicolau.

Já na UNITA, os grandes protagonistas do debate são Abel Chivukuvuku, Aniceto Hamucwaia, Jerónimo Wanga, Domingos Maluca e Alexandre Neto. No PRS, atesta desta formação política com fortes ramificações na região leste de Angola surge o nome do “irrequieto” deputado Lindo Bernardo Tito (líder da bancada).

Quanto a FNLA, a bancada parlamentar deste histórico partido, algo apagada da cena política nacional, tem reflectido o momento vivido no seio da referida formação política.

Apesar da prestação abismal na prestação dos deputados, todos ganham o mesmo, excepção ao chefe de bancada que ganha um subsídio de 22.000 kwanzas, inerente ao cargo que desempenha.
 
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