Morreu Pepino, o "velho" ciclista de Benguela
13-08-2018 | Fonte: Angop

Morreu Alberto da Silva "Pepino", um dos mais velhos ciclistas activos do mundo, que, aos 95 anos, ainda pedalava dezenas de quilómetros em cima da sua bicicleta, tendo-se notabilizado pela sua longa carreira como desportista e pelas voltas ao país em bicicleta para homenagear os heróis nacionais e em defesa dos mais desfavorecidos.


Pepino, como era conhecido um dos grandes ícones do desporto nacional, que levou o nome de Angola ao mundo em provas desportivas e através de notícias e reportagens feitas por vários media internacionais, morreu em Benguela, no Sábado, vítima de acidente cardiovascular, noticiou a Angop.


O "Velho Pepino" tinha sido alvo de uma homenagem no passado mês de Julho pelo Ministério da Juventude e Desportos por causa dos seus feitos em prol da nação angolana.


Inspiração para os mais novos e mais velhos, Pepino deverá ver em breve o seu nome ligado a uma prova nacional anual com a designação "Trofeu Pepino".


Um dos seus feitos foi a participação, em 2009 e em 2013 nos jogos olímpicos da terceira idade, tendo conquistado duas medalhas de ouro.


Quando tinha 53 anos, em 1973, como lembra a Lusa, Alberto Silva correu a pé, em 47 horas, a distância entre Huambo e Benguela. Fora uma aposta com amigos e ganhou 100 contos portugueses pelo feito.


Mais tarde, em 1975, por ocasião da independência, superou o seu recorde pessoal, ao cobrir, também a pé, os 700 quilómetros que separam Benguela de Luanda, saudando a Independência de Angola e os seus precursores, em memória das viúvas e dos órfãos da guerra, ganhando a simpatia de todo o povo angolano.


Em 2005, decidiu fazer o mesmo percurso em bicicleta.


Verdadeiro nacionalista, "Pepino" era serralheiro de profissão, proprietário da Marcenaria Muxima, encravada nas traseiras do Hotel Luso, propriedade da família, em Benguela.


"Pepino" foi amigo pessoal do primeiro Presidente de Angola, Agostinho Neto, a quem, segundo reza a história, chegou a oferecer uma mobília completa.


Ao celebrar o 95.º aniversário, em outubro de 2017, realizou uma "pedalada" de 45 quilómetros em Benguela, na companhia de dezenas de jovens ciclistas da cidade.


A 09 de fevereiro deste ano, o jornalista angolano Jaime Azulay lamentava então o "esquecimento" das autoridades desportivas angolanas pelo ciclista - a homenagem ocorreria a 01 de julho -, e contou um exemplo disso.


"Quando se aventou a escolha de um nome para o estádio construído na cidade de Benguela, no âmbito do CAN-2010 [Taça das Nações Africanas, então disputada em Angola], ocorreu que era finalmente chegado o momento de se prestar a justa homenagem ao grande ícone do desporto angolano: Alberto Silva «Pepino», cujo percurso revela episódios de inusitada galhardia", escreveu na altura.


"O CAN passou e, infelizmente, o nome de «Pepino» foi preterido e o estádio foi batizado com um nome [primeiro Estádio Nacional de Ombaka e, depois, Estádio Edelfrides da Costa Palhares "Miau"] cujas origens e significado carecem de certificação científica para serem aceites", acrescentou.


Atleta lendário, começou como futebolista nas grandes equipas de Angola no final dos anos 30 e 40 do século passado, ao mesmo tempo que praticava atletismo. Depois de "pendurar as chuteiras" no futebol, escolheu a bicicleta.

 
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