Supostos angolanos usam a rota México para chegarem aos EUA
17-08-2018 | Fonte: O País

O aumento da criminalidade até 5 por cento, no 2º trimestre deste ano, o facto de o país servir de placa de trânsito para traficantes de cocaína oriunda da Europa, América Latina e alguns países africanos, incluindo o tráfico de seres humanos, constaram entre os assuntos ontem abordados no IV Conselho Consultivo Alargado do Serviço de Investigação Criminal (SIC).


O director-geral do SIC, Eugénio Pedro Alexandre, revelou ontem, em Luanda, que há cidadãos que, usando documentos angolanos, se têm deslocado ao México com o propósito de chegarem aos Estados Unidos da América (EUA). Explicou que, apesar de os classificar como “supostos angolanos” por desconhecer a autenticidade dos seus documentos, as autoridades estão preocupadas com a situação e continuam a combater a imigração ilegal.

O tráfico de seres humanos é outra preocupação. “Há casos de cidadãos que são levados para Europa e países africanos que professam o Islão. Ultimamente, estamos assistir à ida de supostos angolanos ao México”, frisou, sem fornecer mais dados.


Rota do tráfico de cocaína


Quanto ao tráfico de drogas, explicou que é um crime transnacional e sabe-se que em Angola não se produzem drogas pesadas, sendo que estas são provenientes do exterior do país, que tem servido de ponto de consumo e, sobretudo, de trânsito. “Hoje os delinquentes utilizam o nosso país como uma via de trânsito. Já há indivíduos que saem de São Paulo (Brasil) passam por Lisboa (Portugal) e vêm para Luanda via África do Sul. Ainda há cidadãos, como os Zimbabueanos, que saem de Joanesburgo (África do Sul) passam por Angola para irem aos seus países. Por essa razão, há indivíduos de várias nacionalidades que estão detidos”, contou.


Embora reconheça alguns resultados positivos, o responsável disse que o que preocupa os agentes do SIC é o consumo e o tráfico interno de droga. E só considera que estão a cumprir efectivamente com o seu papel quando chegarem aos mandantes destes crimes. O director do SIC reconheceu, por outro lado, que o crime organizado existe no nosso país e apontou o tráfico de armas como uma das preocupações, pelo que, vão fazer de tudo para retirar o maior número de armas possível das mãos dos marginais. A proveniência das armas é conhecida, mas não nos esqueçamos que o país foi assolado durante longos anos por uma guerra e muitos cidadãos se apropriaram dessas armas.


Agentes do SIC na PGR


Acerca dos casos de agentes do SIC que têm sido notificados pela Procuradoria-Geral da Republica (PGR), esclareceu que o facto é consequência de factores históricos. “No tempo em que o país estava em guerra, o SIC fazia parte da Polícia Nacional que, por sua vez, participou activamente nas acções combativas para a defesa da soberania nacional, tendo, para tal, que recrutar pessoal”, resumiu.


Acrescentou de seguida que “parte deste pessoal, sem qualificação nem perfil adequado, também foi integrado no SIC. Agora, temos que reconhecer que há alguns indivíduos que não reúnem requisitos para estar na nossa corporação”. Para pôr cobro à situação, garantiu que está a ser desenvolvido um trabalho árduo e abnegado, no sentido de expurgar os funcionários de conduta indecorosa”, revelou. Ressaltou que qualquer técnico do SIC que violar a lei e os regulamentos da instituição está sujeito a ser punido como qualquer outro cidadão. “Nós estamos para servir o país e cumprir a lei e os regulamentos existentes”, concluiu.

 
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