Que venha o TP Mazembe!
05-09-2018 | Fonte: Correio Angolense

O tricampeão nacional de futebol, 1º de Agosto, conheceu na passada segunda-feira, 03, o seu adversário para as eliminatórias de acesso às meias-finais da Liga dos Clubes Campeões de África, tendo calhado com o Tout Puissant Mazembe da República Democrática do Congo, depois do sorteio realizado na cidade do Cairo, capital do Egipto, testemunhado particularmente pelo vice-presidente para o futebol do clube militar – Paulo Magueijo.


Com o regresso à prova continental 21 anos depois, a euforia suscitada naturalmente com a passagem aos quartos-de-final da competição, tem de dar lugar ao realismo e prudência. O clube ‘agostino’ tem agora de descer das nuvens e reconhecer que terá pela frente um adversário de roer as unhas, facto aliás que já vem provocando inquietações e angústias por entre os adeptos ligados à formação militar.


Obviamente nunca desejariam que ao seu D’Agosto tivesse calhado exactamente o TP Mazembe, opositor que esbanja temor aos seus adversários, sobretudo pelo histórico que carrega na prova. Não esqueçamos que o conjunto congolês colecciona, na sua galeria, cinco títulos da ‘champions' africana (1967, 1968, 2009, 2010, 2015). Em 2010, disputou honrosamente a final do Mundial de clubes da FIFA, com o Inter de Milão de Itália, vencedor da Liga dos Clubes Campeões Europeus em futebol, tendo sido derrotado por (3-0).


O sucesso obtido na campanha interna, com a conquista do tricampeonato, cimentou a autoconfiança dos pupilos às ordens do sérvio Zoran Macki. Mas tal facto tem de ser apenas um condimento que inspire a crença de que, embora seja uma empreitada árdua e difícil, é possível vergar o TP Mazembe, pois não existem equipas imbatíveis.


A maior valia do adversário terá de ser provada dentro das quatro linhas, não sendo assim racional a maneira como alguns – também os há – estão a sobrestimar aquela formação, com o acento tónico a ser colocado em Trésor Mputu, pelas invejáveis habilidades individuais que este futebolista possui.


Estas são as cartas à mesa neste momento, pendendo o fiel da balança para os congoleses. Mas lá por isso nós, os angolanos, temos de ter receio deles? Não temos qualidade suficiente? Somos o parente pobre do campeonato? É certo que temos de pensar desta forma? São interrogações que nos povoam a mente.


Acresce a tudo isso que há em Angola uma hoste enorme de adeptos do TP Mazembe, constituída pelos congoleses que vivem no nosso país. O facto dá ímpeto ao discurso que já se vem afirmando de que os “Les corbeaux" (designação por que são conhecidos os jogadores do TP Mazembe) jogarão praticamente em sua casa e que o primeiro anel do Estádio Nacional será preenchido por adeptos congoleses em delírio, provenientes fundamentalmente de zonas como o Palanca, Cazenga e Mabor. Há até uma canção que já se está a tornar viral no seio de muitos internautas, alguns com laços ao Kabuscorp do Palanca.


Mas, nesta hora, há perguntas que não se querem calar. Deixaremos que estes pormenores abatam o orgulho e o ego nacional? Então, não somos angolanos? Será que o 1º de Agosto é um clube de outro país e que apenas está cá em Angola a fazer turismo?


Importa realçar que o 1º de Agosto só terá êxito neste embate, caso os seus amigos, sócios e não só estejam de mãos dadas com o clube, nos maus e bons momentos. Dirigentes, atletas e treinadores da equipa rubra e negra têm de preparar bem este encontro, não devendo haver margem para erros, porque este adversário não será uma iguaria fácil de ser degustada. Possui um arsenal de argumentos que deveremos sempre ter em conta.


A primeira mão está aprazada para 14 de Setembro próximo, no Estádio 11 de Novembro, palco que guarda uma das mais tristes memórias do futebol nacional: o empate (4-4) com a selecção do Mali, liderada na altura por Sedu Kheita. Mas, bolas para a frente. Somos Angola. E já provamos que diante das adversidades nunca viramos a cara a luta. Viva Angola!

 
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