Luanda e Pequim adiam negociações de cooperação
06-09-2018 | Fonte: DN

Angola e China concordaram em adiar para final de setembro as negociações para a definição de um novo quadro geral de cooperação financeira, disse hoje, em Pequim, o ministro das Relações Exteriores angolano, citado pelo Jornal de Angola.


Manuel Augusto, que se encontra em Pequim a acompanhar o chefe de Estado angolano, João Lourenço, no III Fórum de Cooperação China-África, esclareceu que, à margem da cimeira, não devem ser assinados acordos no setor financeiro e indicou que se está na fase final das negociações, que permitirão concluir o acordo em breve.


Segundo o chefe da diplomacia angolana, a presença na capital chinesa pela segunda vez consecutiva em menos de um mês do ministro das Finanças, Archer Mangueira, é prova do empenho das duas partes.


"É possível que este acordo (sobre a definição do quadro geral de cooperação financeira) seja assinado na China ainda este ano", disse, salientando que Pequim está disposta a financiar projetos em África, mas uma das contrapartidas, tal como definiu o seu Presidente, é a transparência nos países que queiram concorrer a esse financiamento.


"Quando a China lançou esta cimeira anunciou que tem mais de 100 mil milhões de dólares para cooperar com África. Tem dinheiro, vontade e capacidade, só que o Presidente Xi Jinping quer que a nova cooperação seja feita de forma rigorosa e transparente", disse o ministro.


Xi Jinping anunciou hoje que a verba disponível para ajudar ao desenvolvimento de África é de 60 mil milhões de dólares.


A participação ao mais alto nível de Angola na FOCAC tem em vista culminar as negociações para uma nova linha de crédito chinês de 11.000 milhões de euros, destinados ao financiamento de vários projetos.


Entre eles está a negociação dos termos para um empréstimo de 1.282 milhões de dólares (1.098 milhões de euros), montante destinado a pagar até 85% do valor do contrato para a conceção, construção e acabamento do novo aeroporto internacional da capital de Angola, que está a ser construído a 30 quilómetros de Luanda por várias empresas chinesas.


Através do banco estatal chinês, que apoia a importação e exportação do país (Exim Bank), Angola está também a negociar empréstimos de 690 milhões de dólares (600 milhões de euros) para a construção da marginal da Corimba (Luanda).


Em negociações estão também os empréstimos de 760,4 milhões de dólares (651,7 milhões de euros) para o sistema de transporte de energia elétrica do Luachimo, e de 1.100 milhões de dólares (942,8 milhões de euros) para a construção de uma academia naval em Kalunga, Porto Amboim (Cuanza-Sul).


Globalmente, Angola tenta fechar uma linha de crédito de 11.700 milhões de dólares (10.028 milhões de euros) para projetos de infraestruturas, indicou hoje fonte oficial, através do Banco Industrial e Comercial da China (ICBC), segundo informação do Fórum de Cooperação China-África (FOFAC), que cita o sítio de notícias CLBrief (Breves sobre a China e a Lusofonia).


Hoje, Manuel Augusto salientou que o FOCAC é uma "plataforma comum importante" que corresponde à evolução das relações entre o continente africano e a China.


"A Cimeira espelha o estádio de desenvolvimento entre os países africanos e a China. A expectativa cresce à volta deste encontro porque sabemos que a China pretende pôr em prática a doutrina de Xi Jinping, que é recuperar a «Rota da Seda»", frisou.


Sobre a presença das autoridades angolanas na Cimeira, Manuel Augusto lembrou que Angola se tornou um dos maiores parceiros da China em África, pelo que tem, admitiu, "interesses particulares".


O ministro lembrou que, além de participar no debate geral da cimeira, João Lourenço vai discursar numa mesa redonda e participa também no fórum económico, que junta o líder chinês e homólogos africanos, bem como empresários das duas partes.


Manuel Augusto indicou que a delegação angolana vai assinar um memorando e um acordo durante a Cimeira.


"O memorando vai estabelecer um quadro qualitativo e não necessariamente quantitativo da nossa cooperação", esclareceu.


O acordo a ser assinado é sobre uma doação da China de um centro de formação profissional no Huambo.

 
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