PIB angolano cresce metade da média subsariana em 2018
24-09-2018 | Fonte: Jornal Vanguarda

FocusEconomics estima que economia cresça 1,6%, o segundo pior desempenho em 13 países. Segundo trimestre deste ano pode ser negativo.


A economia angolana poderá crescer este ano apenas metade da média da África subsariana, indica o Census Forecast, divulgado nesta semana pela Focus Economics. Segundo a consultora, que faz projecções para 127 países, com base em mais de 2.000 estimativas locais, o PIB angolano deverá crescer 1,6% este ano, contra 3,2% da média de 13 países da região, sendo o segundo que menos avança, depois da África do Sul, quer em 2018, quer em 2019.


As estimativas da Focus Economics (ver tabela ao lado) para este ano e 2019 são menos optimistas do que as do Governo, que no Plano de Desenvolvimento Nacional (PDN) 2018-2022 avança com uma de crescimento do PIB de 2,3%, este ano, e de 3,6%, no próximo. A Focus Economics revê igualmente em baixa as projecções do Fundo Monetário Internacional (FMI), que aponta para 2,2%, em 2018, e 2,5%, em 2019.


O documento, a que o Vanguarda teve acesso, recorda recuo do PIB no primeiro trimestre deste ano (-2,2% face ao homólogo) e avança que “os indicadores disponíveis em relação ao segundo trimestre traçam um cenário igualmente cinzento”. “A produção petrolífera caiu para um mínimo de 11 anos no segundo trimestre, esbatendo, provavelmente, os ganhos da subida do preço” da matéria prima”, lê-se no estudo. “Por outro lado, apesar de ter baixado para mínimos de 31 meses, a inflação manteve-se elevada no segundo trimestre, o que, associado à desvalorização do kwanza, poderá pesar na procura interna no período”, acrescenta o Consensus Forecast, que assinala que o Governo anunciou entretanto, em Agosto, que irá avançar com um pedido de assistência financeira ao FMI.


O pior já passou


Os elementos do painel da projecção “concordam que a economia deverá sair da recessão este ano”, diz o documento, que defende que, em 2019, as medidas de consolidação fiscal, a diversificação da economia e a transição para um regime flexível na taxa de câmbio do kwanza – reformas iniciadas pelo actual Presidente – poderão sustentar a recuperação”. Também a cooperação com o FMI “parece reflectir o compromisso em realizar mudanças e reformas estruturais”, adianta.


O estudo avança que, este ano, a inflação deverá ficar em 20,6%, e em 17,4% no próximo (o PDN estima 23% em 2018 e 17,4% em 2019). O saldo fiscal previsto para as contas públicas é de -4% do PIB, este ano, e de 3,5% em 2019 (face a -2,4% e -1,4%, respectivamente, no PDN), enquanto a dívida pública em percentagem do produto deverá, segundo a FocusEconomics, ascender a 74,2%, em 2018, e 70,9%, em 2019 (o Governo estima ter atingido 67% no ano passado, e aponta para 60% em 2022). Já em relação ao câmbio kwanza vs. dólar, a FocusEconomics estima que a taxa seja de 226,4 este ano e de 239,5 em 2019, atingindo um pico de 276,7 em 2022

 
Comentários
Quer Comentar?
Nome E-mail ou Localização
Comentário
Aceito as Regras de Participação
Foto-Destaque
Foto-Destaque
Questionário