Expansão do Islamismo não constitui perigo para Angola
29-07-2005 | Fonte: VOA
A Comunidade Islâmica de Angola diz que a expansão do islamismo no país não constitui qualquer ameaça, contrariando assim as inquietações que tem sido manifestadas por alguns sectores da sociedade, sustentando que os conflitos no mundo são motivados por razões de interesse político e sócio-económico, e nunca se fundamentam na religião".

Falando a Voz da América pouco antes de uma conferência de Imprensa que serviu para acalmar os ânimos de algumas pessoas apreensivas com a expansão do Islamismo, David Alberto acrecentou que "em nenhuma parte do Alcorão se ensina a praticar o massacre e o vandalismo'.

Sem qualquer expressão durante o regime monopartidário, embora a sua existência remonte dos anos sessenta, o islão ganhou espaço em Angola depois da abertura política, que permitiu a entrada e a radicação de cidadãos de várias origens, particulamente da África do Oeste, onde aquela religião é predominante.

Apesar de não estar ainda legalizada, ela exerce normalmente as suas actividades em Angola. Os seus dirigentes afirmam, entretanto, que esforços estão sendo feitos junto dos órgãos de direito para a sua legalização.

"Estamos a trabalhar no sentido da sua oficialização, mas eu refuto qualquer declaração que considera a religião islâmica como sinónimo de terrorismo ou esteja ligada com este fenómeno de terrorismo que hoje em dia assola o mundo inteiro. Não concordo com isso. Vemos o caso de Moçambique, onde 60% da população é muçulmana, não há terrorismo. Podia citar outros países da região da SADC onde há um elevado numero de muçulmanos como a Namíbia e a África do Sul e onde não há terrorismo".

David Alberto afastou os receios de que o islão pode trazer novos hábitos culturais a Angola, sublinhando o facto de ser um país multicultural. Afirmou ainda que esta religião é mais próxima dos hábitos africanos do que dos ocidentais na preservação dos valores da convivência social.

"Nós confessamos uma religião com a sua própria ideologia, com a sua própria consciência e os crentes que professam esta religião fazem-no na sua liberdade e no uso da sua consciência religiosa. Não há imposição de novos hábitos culturais"-frisou.

A comunidade islâmica em Angola está representada por mais de cinquenta mil crentes, com maior incidência nas províncias do leste. Em Luanda existe seis mesquitas, onde regularmente os seus aderentes fazem as suas orações.
 
Comentários
Quer Comentar?
Nome E-mail ou Localização
Comentário
Aceito as Regras de Participação
Foto-Destaque
Foto-Destaque
Questionário