Delinquência juvenil é fruto das desigualdades sociais
01-08-2005 | Fonte: VOA
A delinquência juvenil em Luanda tem estado a atingir contornos preocupantes, tendo passado já da fase de arrancar brincos, fios e pulseiras de ouro e evolui para a revista dos cidadãos em plena luz do dia, para encontrar telefones móveis.

Os locais escolhidos pelos gangs ou grupos de jovens, são as imediações das escolas públicas e colégios privados, embora se desdobrem por outros locais da cidade alguns até bem identificados por cidadãos que já foram vítimas destes grupos ou já presenciaram as suas disputas.

A incapacidade das instituições vocacionadas para tratar deste tipo de casos permitiu que estes jovens actuem hoje de forma mais violenta, pois em caso de resistência eles não hesitam em carregar no gatilho para matar. Já é grande e bem conhecida a lista de pessoas que perderam a vida porque resistiram ao invés de entregar o telemóvel.

Apesar destes registos e de na maior parte dos casos os grupos estarem bem identificados pouco ou nada se faz para acabar com esta prática que é nefasta para a sociedade o que significa ser importante e urgente uma reforma a nível da justiça juvenil no país, no sentido de se criarem mecanismos primeiro para a prevenção da delinquência e segundo para a concepção de programas comunitários sociais para auxiliar os que vivem com maiores dificuldades.

A Voz da América entrevistou o sociólogo e docente universitário João Lukombo. Para ele, a delinquência, como qualquer comportamento de desvio na sociedade, tem de ser diagnosticada pelas suas causas, mas pela explicação que me deu, destaca-se a origem particular desses jovens no que incide a sua pertença à classe governante. Mas sempre que a sociedade está endémica, tem problemas de carácter patológico e desequilíbrio no comportamento, na conduta e nas normas sociais tem de se questionar as balizas comportamentais que caracterizam os padrões da educação que nós temos nessa sociedade.

O docente disse ser preocupante o facto de muitos destes jovens serem filhos de governantes. O Dr. João Lukombo disse também que um bom princípio para acabar com a delinquência juvenil é reforçar o papel da família.

João Lukombo deu a sua opinião em relação a este caso particular. “Vê Michel Jackson, Ronaldo e outros, idealiza esta sensação quer também aparecer, pode ser uma forma de procurar fama com a agravante de quando este processo leva pessoas à morte é onde este tipo de celebridade é negativa é pior que uma pessoa que roubou mas não matou, mas quando se recorre a arma como no caso dos telemóveis, ouvi casos que mesmo depois da pessoa ter entregue o telefone leva um tiro à mesma. Isso é extremamente grave deve-se identificar este jovem, reforçar a educação não só na família, nas escolas, nas associações, nas igrejas, onde cada um tem um papel a transmitir aos jovens e aos membros que fazem parte deste grupo?. O dito líder dos HDA disse também que a sua opção não tem nada a ver com dificuldades, tem tudo em casa, é filho de um brigadeiro, o que lhe faltou no lar foi atenção e carinho por parte dos pais.

“Tentou cantar para ter fama mas não conseguiu, o que não teve da família encontrou no grupo onde se conseguiu impor como líder e assim tornar-se conhecido, não da forma como seria de desejar mas pelos crimes que comete. Este jovem confessou ter sido preso muitas vezes, mas que em todos os casos houve a intervenção do pai para o soltar. O líder do grupo DHA fez questão de realçar que no colégio onde estudava aprendeu a drogar-se e que tem amigos filhos de altos responsáveis do país que são passadores de droga. Outro dado preocupante que foi por si revelado é que as armas utilizadas pelo grupo são pertença dos pais ou familiares, e roubadas pelos integrantes do grupo que na sua maioria são filhos ou familiares de polícias ou militares. Para além do HDA, existem outros grupos como o Alameda, os Metralhas, que não permitem que uns invadam o território de outros, cada grupo actua numa zona preferencial”, recordou.

O docente da Universidade acredita que outra tarefa urgente é dignificar o salário dos que têm a obrigação de fazer cumprir as leis no país para evitar os atropelos que se verificam constantemente e convidou a sociedade a envolver-se no processo da educação por ser um processo globalizante totalizado no sentido de que não é apenas uma função dos pais em casa, mas é função de qualquer pessoa adulta em relação ao mais novo, cada um assume a sua cota parte, todos nós transmitindo essas mensagens poderemos com um esforço colectivo colher resultados esperançosos.
 
Comentários
Quer Comentar?
Nome E-mail ou Localização
Comentário
Aceito as Regras de Participação
Foto-Destaque
Foto-Destaque
Questionário
Quais os motivos que levaram Angola a obter resultados negativos na corrida ao CAN 2015
  • Os adversários são mais fortes
  • Falta jogadores de qualidade
  • Problemas administrativos
  • Equipa Técnica