Autoridades angolanas têm pouca capacidade de intervenção para apoiar bancos em dificuldades - Fitch Solutions
23-10-2018 | Fonte: Novo Jornal

Numa análise ao sector bancário angolano, a consultora Fitch Solutions, integrada no grupo que é dono da agência de notação financeira Fitch, constata que as autoridades nacionais "têm pouca capacidade" para sair em auxílio de bancos que enfrentem dificuldades.


Segundo os analistas, "para além da criação da Recredit, uma empresa pública para comprar o crédito malparado dos bancos, as autoridades têm pouca capacidade de intervenção no sector bancário caso seja necessário apoiar alguma instituição em dificuldades".


A avaliação surge numa altura em que se antecipa o encerramento de alguns bancos angolanos até ao final do ano, altura em que termina o prazo para as instituições financeiras ajustarem os fundos próprios às novas exigências estabelecidas pelo banco central.


Na análise ao sector bancário angolano, os consultores assinalam que a queda do preço do barril do petróleo, observada a partir de 2014, "obrigou o Governo a adoptar uma histórica austeridade orçamental" e a nacionalizar três bancos, entre eles o Banco de Poupança e Crédito.


Como tal, o Executivo está exposto, "em certa medida" à evolução da banca nacional, realidade acentuada pelas participações detidas por algumas empresas públicas, como a Sonangol, em instituições bancárias.


Debruçando a análise sobre essa evolução, a consultora Fitch Solutions antecipa a subida dos empréstimos bancários, de 12,5% para 14,8%, suportada pelo regresso das divisas.


"A recuperação dos fluxos de moeda externa e a moderação no abrandamento da política monetária por parte do Banco Nacional de Angola vai fazer com que o crescimento do crédito em Angola permaneça relativamente robusto" nos próximos meses, prevêem os consultores.


No entanto, considerando que "o crescimento económico continua tépido depois de uma prolongada recessão", os analistas notam que "a qualidade dos activos bancários vai limitar o impacto dos estímulos monetários do banco central" e, nos próximos trimestres, abrandar a subida dos empréstimos.

 
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