Lunda-Norte era "terra de ninguém"
23-10-2018 | Fonte: JA

Efectivos dos diversos órgãos de defesa e segurança do país nada faziam para impedir a entrada de milhares de estrangeiros ilegais, que pilhavam de forma abusiva e descontrolada os recursos naturais. Eram cúmplices de um negócio que tinham à testa os ditos “bosses”, maioritariamente libaneses e mauritanos, que geriam as casas de compra e venda de diamantes e faziam de tudo para atrair milhares de pessoas vindas de todas as partes de Angola e de vários pontos do mundo.


Ninguém podia entrar nas “computarias”, nem mesmo os administradores municipais. As ordens saíam de Luanda. Marcos, Clement, Wissam, Prince Arik, Miguel, Malek, Salifu e Leo, este último conhecido como o irmão dos garimpeiros, eram os “bosses” que comandavam as operações ilícitas de exploração de diamantes na Lunda-Norte.


Eles eram facilmente identificados através das viaturas que utilizavam para publicitar o negócio de diamantes, onde as imagens dos seus rostos e contactos telefónicos eram estampados.


Da província, que conta neste momento com mais de 50 mil desempregados, saíam e entravam milhões de dólares que deviam ser investidos em vários projectos sociais destinados à população local, que, por ironia do destino, vive abaixo da pobreza. A maioria habita em casebres construídos com material rudimentar. Falta água potável e energia eléctrica em muitas localidades da província. Por falta de escolas, milhares de crianças estão fora do sistema normal de ensino. Depois de Luanda, a província registava o maior número de estrangeiros ilegais da RDC.


A Lunda-Norte parecia ser terra de ninguém. Todos estavam metidos na exploração ilícita de diamantes. Desde o início da “Operação Transparência”, no dia 25 de Setembro, mais de 230 casas de compra e venda de diamantes e 90 cooperativas foram encerradas, e mais de 380 mil cidadãos da RDC abandonaram livremente o território angolano.


Até 20 de Outubro foram apreendidas 71 dragas, 47 lavarias, 14 jangadas, 59 armas de fogo, mais de um milhão de dólares americanos e cerca de 17 mil quilates de diamantes. A operação permitiu, também, a apreensão de vários instrumentos utilizados no garimpo, como moto-bombas, detectores de diamantes, compressores de ar, máquinas de teste e balanças de diamantes, lupas, cofres, viaturas, de diversas marcas e capacidades, e equipamentos como retroescavadoras, pás cavadoras, niveladoras, cavadoras, bulldozers e tractores.


Neste momento, toda actividade legal ou ilegal, realizada por cooperativas de exploração de diamantes e semi-industriais, está suspensa. A decisão foi tomada pelo Executivo para reduzir o risco de dispersão dos diamantes, garantir maior fiscalização de receitas sobre as vendas e reorganizar o mercado artesanal.


A Empresa Nacional de Prospecção, Exploração, Lapidação e Comercialização de Diamantes (ENDIAMA) está orientada a não voltar a reemitir licenças para o exercício da actividade.

 
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