José Francisco Quipanda, ex-marido da jornalista Beatriz Fernandes, assassinada no ano passado, em Viana, disse, quarta-feira, em Tribunal, na condição de declarante, que se ausentou do país com os dois filhos porque os menores precisavam de cuidados médicos.
O ex-marido da jornalista da TPA deu esta explicação para justificar a razão por que não respondeu às três notificações que recebeu do Tribunal Municipal de Viana, que o arrolou como declarante no processo que está em julgamento há mais de um mês.
A juíza da causa informou, na penúltima sessão do julgamento, no princípio deste mês, que emitiu um despacho que orienta o Serviço de Migração e Estrangeiros (SME) a accionar a intervenção da Organização Internacional de Polícia Criminal (Interpol), no sentido de trazer, sob custódia, o ex-marido de Beatriz Fernandes.
O declarante, acompanhado do seu advogado, respondeu a várias perguntas, mas, em algumas respostas, mostrou sinais de nervosismo e esquecimento.
Por exemplo, não se lembrou do ano em que se casou, do tempo em que está separado e do nome da madrinha do filho. À pergunta da juíza se o casamento com a jornalista foi celebrada em regime de comunhão de adquiridos ou em separação de bens, José Quipanda respondeu que foi em comunhão de bens.
O ex-marido disse ainda que inicialmente achou que o assassinato da ex-mulher tivesse sido encomendado, mas, depois de ter ouvido o Serviço de Investigação Criminal (SIC), passou a acreditar que Beatriz Fernandes “estava no lugar errado e na hora errada”.
José Quipanda informou que, antes da separação, viveu com Beatriz Fernandes numa moradia, no condomínio Ginga Cristina, em Viana. Actualmente, vive na Sapu, numa das quatro casas deixadas pela malograda.
O Jornal de Angola soube de uma irmã de Beatriz Fernandes que esta, antes de ter contraído matrimónio, já tinha quatro casas e que se casou em regime de comunhão de adquiridos.
A irmã adiantou que o casal está separado há cerca de três anos e acentuou que a única casa que conseguiram em regime de comunhão de adquiridos é um apartamento da centralidade do Sequele.
Beatriz Fernandes foi assassinada com Jomance Muxito, um jovem que o acompanhava no fatídico dia. O duplo assassinato completa hoje um ano. A próxima sessão está marcada para a próxima quarta-feira.
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