Gestor pede comissão sobre dívidas de Angola a empresas portuguesas
18-11-2018 | Fonte: Lusa

O professor convidado da Universidade Europeia Luís Todo Bom defendeu hoje a criação de uma comissão conjunta entre Portugal e Angola para resolver as dívidas às empresas portuguesas, alertando que sem isso será impossível captar investimento externo.


"Não é possível recuperar completamente a confiança dos investidores externos sem resolver o problema da dívida atrasada, porque um investidor externo vai sempre pensar que se não pagaram àqueles [as empresas portuguesas], não me vão pagar a mim", defendeu o consultor e gestor da Angopartners.


Em entrevista à Lusa a propósito da visita do Presidente de Angola, João Lourenço, a Portugal, de 22 a 24 de novembro, Todo Bom defendeu que "devia ser criada uma comissão conjunta entre os dois Estados para verificar e auditar as dívidas reais do Estado às empresas portuguesas e encontrar um caminho de resolução deste tema.


"Isso seria bom para as empresas nacionais e para Angola, porque possibilitaria a recuperação da capacidade e confiança dos investidores empresariais para voltar a investir em Angola de um modo significativo", acrescentou o gestor, que tem nacionalidade angolana e portuguesa.


Esta questão das dívidas, cuja quantificação está prevista estar concluída ainda este mês, é "um assunto politicamente muito sensível", assumiu Todo Bom, considerando que "os políticos tendem a fugir deste problema" e que "está tudo a empurrar com a barriga de um lado e de outro, mas não pode ser".


A comissão conjunta, vincou, poderia ser composta "pelos dois ministérios das Finanças, ou pelas associações empresariais, ou o que entenderem, mas que tenha prazos, meios e até com as empresas de auditoria", defendeu o gestor.


Angola está a passar por uma transformação económica, disse Luís Todo Bom, mostrando-se "muito impressionado com o que o Presidente da República tem feito para recuperar a dignidade e o posicionamento internacional do país".


No entanto, salientou, Angola está "numa crise económica muito complicada", estando há três anos em recessão, "com uma desvalorização significativa da moeda, grandes constrangimentos orçamentais e dívida pública elevada".


Angola, disse, "está a precisar de ajuda, de uma cooperação franca, como Portugal precisou há uns anos e Angola esteve presente", referindo-se ao período de intervenção financeira da 'troika' do Fundo Monetário Internacional, Banco Central Europeu e Comissão Europeia.


Nessa altura, lembrou, "dezenas de milhares rumaram a Angola e abriram empresas, ajudaram a colmatar a crise portuguesa, e Portugal devia fazer o mesmo agora em relação a Angola", porque "são dois países que não podem estar de costas voltadas".


Portugal devia, por exemplo, fazer mais para motivar as empresas a irem para Angola, fazendo "uma avaliação de investimentos das empresas portuguesas em Angola, verificando a sua capacidade exportadora" e defendeu uma mudança de paradigma no pensamento dos empresários nacionais.


"Grande parte dos empresários vai para Angola para fornecer o mercado interno, mas a capacidade de absorção é muito reduzida, e depois enfrenta problemas cambiais; as empresas deviam aproveitar o investimento em Angola, onde há um potencial exportador muito elevado, nomeadamente nas áreas agrícola, pecuária, florestas e agroindústria.


"A COSEC [Companhia de Seguro de Crédito] devia ter uma postura de avaliação mais rigorosa e com menos risco, porque se a empresa vai para Angola para trabalhar para os mercados externos, o risco cambial quase não existe, e isso [produzir em Angola para exportar] era fundamental para a balança comercial de Angola", concluiu.

 
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