Ex-administrador responsabiliza governo pela tragédia de Março no Lobito
18-12-2018 | Fonte: O País

A data dos acontecimentos administrador do Lobito, Ricardo Amaro, em entrevista à Rádio Benguela, apontou o dedo ao antigo Gover- no central e provincial pela forma como geriram a questão das valas de drenagem do Lobito.


O antigo governante afirmou que se aquela circunscrição territorial de Benguela voltar a receber quedas pluviais da proporção das de 2015, seguramente ver-se-á novamente mergulhada no cenário de há 3 anos.


Recuando no tempo, Amaro diz que, em 1971, situações do género já se tinham registado na cidade dos Flamingos, nome pelo qual é também conhecida a cidade do Lobito.


Em relação à construção de residências para os sinistrados, o agora docente universitário diz que, desde sempre o processo de decisão sobre que o tipo de casas que se construiria para os sinistrados foi da responsabilidade do Executivo local.


Disse não entender as razões de alguns segmentos lhe terem apontado o dedo por ter desviado bens então destinados às famílias que viram parte das suas vidas des- truídas pelas enxurradas.


“Desde o primeiro momento, as doações nunca estiveram sob ges- tão da Administração do Lobito, mas de uma comissão criada no Governo Provincial. Os armazéns nem sequer estiveram no municí- pio do Lobito, estavam no da Catumbela”, justificou.


Na altura, continuou, “seria mais fácil tentar apontar o dedo a alguém, que esse alguém assumisse o ônus de um problema tão profundo e tão grave como foi a perda de 71 vidas humanas, entre eles um sobrinho meu, filho da minha irmã”, disse.


O académico criticou o facto de o Governo não se ter dignado a abrir uma investigação para se apurar as reais causas da tragédia de Março de 2015, à semelhança do que ocorre noutras partes do mundo quando há perdas humanas. Mostrou-se indignado com os que o acusaram de ser o responsável pela tragédia, por não ter sequer visitado as valas de drenagem que dizem nunca terem sido desassoreadas pela Administração do Lobito.


As valas estão com o mesmo problema, ou pior ainda. Só para dizer que o problema é de fundo”, para as quais vai ser necessário buscar “soluções de fundo e não paliativas”, para se evitar outras tragédias no futuro.


Amaro Ricardo informou que o Lobito tem 42 quilómetros de valas de drenagem, daí que defenda uma nova proposta de distribuição de fundos para que os municípios, em função da sua realidade, tenham condições materiais e humanas para cuidar do território.

“Você dá 25 milhões de kwanzas ao Lobito e 25 milhões a um município que tem 3 mil e 400 habitantes. O Lobito tem quase trezentos mil habitantes e com os problemas
que tem. Você dá o mesmo dinheiro a estas duas entidades?” questionou-se.


No seu entender, o problema das valas de drenagem com que o município de que foi titular durante anos se debate é estrutural, por isso, o problema deve ser assumido pela estrutura toda, desde o Governo Provincial ao Central.

 
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