“Quem tiver uma denúncia, que a encaminhe à PGR ou ao SIC. Não quero cochichos e nem fofocas”
10-01-2019 | Fonte: O País

É conhecida a fama dos “requerimentistas” que os cuanzas-nortenhos ostentam, não fossem eles dignos herdeiros de ambaquistas fielmente retratados nos escritos de Óscar Ribas, mas Adriano Mendes de Carvalho apelou para que se use este dom para o bem da província e suas gentes.


“Quem tiver uma denúncia, que a encaminhe à PGR ou aos Serviços de Investigação Criminal. A mim exijam apenas trabalho. Não quero cochichos e nem fofocas”. Foi assim que o novo governador do Cuanza- Norte sinalizou o fim da “era de fofoca e calúnia” que parece ser um dos maiores males da governação nesta parcela do território nacional.


Adriano de Carvalho parece estar informado das “lutas palacianas” que grupinhos locais travam, muitas vezes com recurso a golpes baixos, como denunciam fontes, fazendo com que muitos bons talentos tenham sido prematuramente linchados. O acenar com a cabeça de José Maria dos Santos parece confirmar as “guerrinhas” de que tanto de ouve falar entre os cuanza-nortenhos. Consta que a prática por cá é “chuva de cartas denúncias” que são endereçadas desde às instâncias na província, mas também a órgãos centrais da administração do Estado, Poder Legislativo e partido no poder.


O antigo governador de Luanda foi apresentado na manhã desta Quarta, 9, pelo titular da pasta da Administração do Território e Reforma do Estado, Adão de Almeida, na presença do então timoneiro do Cuanza-Norte, José Maria Ferraz dos Santos. Adriano de Carvalho começou por saudar os “adiakimi”, ou seja, os mais velhos, representados na cerimónia pelos sobas e fazendo jus às suas origens socorreuse da língua nacional Quimbundo atirando: “Nganumenekena”, e em retribuição foi “agraciado” com uma efusiva salva de palmas.


Felicitou o seu predecessor, de quem diz herdar muitos dossiers e projectos para dar continuidade, mas sinalizou que a sua marca será o de “valorizar os talentos locais e o de descentralizar o poder e competências a favor dos municípios e comunas em busca da resolução dos inúmeros problemas que grassam pela província adentro”.


Promete tudo fazer para não defraudar as expectativas criadas em torno da sua vinda a Ndalatando. Quer contar com todos no projecto de “reerguer” a província nos aspectos em que é detentora de potencial, a saber: a agricultura, o turismo e a exploração de recursos. No seu projecto de governação, a criação de empregos para estancar a migração da juventude em direcção preferencialmente a Luanda é uma das prioridades. Para o novo governador, o Cuanza-Norte pode servir de “tampão” a Luanda para onde todos os dias seguem dezenas de cidadãos em busca de oportunidade de vida, tornando a gestão da capital angolana quase insustentável.


José Maria dos Santos, sucinto, agradeceu a todos os seus colaboradores que permitiram a realização do trabalho desde 6 de Abril de 2016, altura em que “recebeu o leme da província do Cuanza-Norte”, até ao dia 9 de Janeiro, em que o repassou a outro timoneiro. Diz que cumpriu com zelo e dedicação a sua missão e que saía esperançoso de que parte do seu legado será mantida pelo sucessor: “ao povo do Cuanza-Norte, muito obrigado, estamos e estaremos sempre juntos, disse a terminar José Maria Ferraz dos Santos.

 
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