Banco de Portugal condena Ricardo Salgado a pagar 1,8 milhões de euros por causa do BES Angola
10-01-2019 | Fonte: Observador

O Banco de Portugal condenou Ricardo Salgado a pagar 1,8 milhões de euros na sequência do caso BES Angola. No total, foram condenados 8 dos 18 acusados. Os ex-administradores Amílcar Morais Pires e Rui Silveira também foram condenados ao pagamento de coimas, no valor, respetivamente, de 1,2 milhões e 400 mil euros.


Em causa, segundo o Expresso, estão falhas graves nos mecanismos de controlo interno e o não cumprimento de obrigação de comunicação ao Banco de Portugal dos riscos inerentes à carteira de crédito. No total, as coimas destes três ex-administradores somam um montante de 3,4 milhões de euros. Os outros sete administradores acusados foram absolvidos – entre eles José Ricciardi.


Já o Banco Espírito Santo e o Espírito Santo Financial Group (ESFG) foram condenados ao pagamento de coimas – 3,4 milhões e 1 milhão, respetivamente – mas estas multas ficam suspensas, já que ambas as entidades estão em situação de insolvência. As coimas aplicadas a três dos ex-gestores desta holding são menos avultadas: Petracchini foi condenado ao pagamento de 150 mil euros; e José Castella e Caldeira da Silva terão de pagar 120 mil euros cada um.


Os condenados, entende o Banco de Portugal, agiram de forma deliberada e dolosa para esconder da administração do grupo, assim como do Banco de Portugal, as dificuldades e riscos que o BES Angola atravessava. As multas são superiores para os envolvidos que estavam ligados ao BES. Isto porque, apesar de pertencer à holding ESFG, o supervisor acredita que as decisões eram tomadas no seio da administração do banco.


Em causa está um empréstimo que o BES concedeu ao BES Angola no valor de 3 mil milhões de euros sem que fosse feita a devida análise de risco. Aliás, o verdadeiro risco e a exposição a que o BES Angola estava sujeito não foi apenas ocultada: o supervisor entende que os agora condenados estiveram envolvidos na elaboração de um cenário fictício que pintava uma realidade paralela, muito mais favorável do que a verdadeira.


A decisão, tomada esta quinta-feira, não é definitiva e os acusados podem vir a recorrer para o Tribunal de Santarém.

 
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