Advogados rejeitam quatro crimes imputados a Manuel Rabelais
15-02-2019 | Fonte: O País

Ouvido em interrogatório no Departamento de Investigação e Acção Penal no passado dia 5 de Fevereiro, durante cerca de sete horas, no âmbito do processo- crime 68/2018, ao antigo responsável do GRECIMA foram imputados o indício de cometimento de seis crimes. Além dos quatro refutados pelos seus assessores, supostamente por não terem sequer sido mencionados durante o interrogatório e nem constarem na acta rubricada a posterior por Manuel Rabelais, pendem sob o deputado indícios da prática de crimes de corrupção passiva e branqueamento de capitais.


‘Não é verdade. Aquelas entidades que têm interesse em aclarar a verdade que contactem os procuradores na DNIAP, porque não é verdade. Após o interrogatório foi feito um despacho”, explicou um dos assessores, realçando que “os crimes” em que Manuel Rabelais está indiciado “são feitos consoante este despacho”.


O mesmo acontece em relação às medidas de coação que são aplicadas. De acordo com o gabinete de assessoria, não constam no despacho os crimes de peculato, abuso de poder, associação criminosa e violação de normas de execução do plano e orçamento. “O comunicado contém inverdades”, acrescenta. Inconformado depois do tratamento com deferência dos próprios procuradores, o gabinete explica que estes pediram a máxima colaboração do agora arguido, facto este que está a ser observado.


Questionado sobre os outros dois crimes, os assessores também acabaram por não reconhecê- los, mantendo somente a palavra de que os quatro crimes já mencionados em momento algum foram levantados durante o interrogatório. “Só a Procuradoria Geral da República é que poderá dizer em que crimes, efectivamente, é que ele está indiciado. Trata-se apenas de uma indiciação e não acusação”, rebateu um dos assessores.


Num comunicado publicado na Quarta-feira, 13, além dos seis crimes de que é acusado o actual deputado do MPLA, a Procuradoria Geral da República anunciou também como medidas de coação impostas o termo de identidade e residência, obrigação de apresentação periódica às autoridades e interdição de saída do país. Ainda sobre o comunicado, os defensores estranham a semelhança existente entre os comunicados feitos para Manuel António Rabelais e Francisco Higino Carneiro, igualmente deputado do MPLA, ambos publicados na Quarta-feira.


‘Tudo indica que fizeram um único comunicado para o deputado Francisco Higino Lopes Carneiro, depois apagaram o nome deste e puseram o nome do deputado Manuel Rabelais. Isso é brincadeira de mau gosto’, atirou uma fonte deste jornal, acrescentando que ‘puseram os dois no mesmo saco, quando as situações, processualmente falando, são completamente distintas’. Ainda ontem, o advogado de Higino Lopes Carneiro protestou sobre o facto de a Procuradoria Geral da República ter divulgado o comunicado sobre o seu cliente. Segundo José Carlos, não se consegue perceber por que razão esta entidade estará à busca de uma condenação pública ou no encalço de solidariedade popular.

 
Comentários
Quer Comentar?
Nome E-mail ou Localização
Comentário
Aceito as Regras de Participação