General Zé Maria terá usado a FESA para ocultar documentos de Estado
19-03-2019 | Fonte: Expresso

Com o filho José Filomeno a aguardar julgamento e a filha Isabel receosa de voltar ao país, o desassossego volta a bater à porta do ex-Presidente José Eduardo dos Santos.


O seu antigo chefe dos serviços secretos, general José Maria, protagoniza um caso de alegada insubordinação militar e apropriação indevida de documentos da segurança do Estado.


A Procuradoria Militar fez buscas à Fundação Eduardo dos Santos (FESA) e instaurou um processo-crime contra aquele que foi um dos mais temíveis chefes da segurança interna no consulado de Eduardo dos Santos.


Dizendo-se “voz e ouvidos” do ex-Presidente, o oficial jubilado é acusado de se ter recusado a passar a pasta ao sucessor e de ter escondido em casa um vasto leque de documentos confidenciais.


“É a imagem de arrogância de gente que, julgando-se eternamente intocável, insiste em recorrer aos velhos métodos para perpetuar o seu autoritarismo”, disse ao Expresso fonte da Procuradoria Militar. O general terá alegado que só deve obediência a quem o nomeou: Eduardo dos Santos.


Quis branquear o seu papel”, afirma, agastada, fonte do Estado-maior das Forças Armadas Angolanas. Uma equipa da Procuradoria Militar fez, sem sucesso, uma busca a casa do general.


“Depois de ter retirado de casa os documentos encaixotados que pretendíamos resgatar, encaminhou-os para um lugar inacessível à justiça”, denunciou fonte dos serviços de informações militares.


À revelia do seu patrono, o lugar escolhido seria nada mais nada menos do que a FESA. É ali, apurou o Expresso, que José Maria ocupa o tempo de- pois de ter sido convidado pelo antigo Presidente para colaborar na organização de um centro de estudos que aglutina documentos que retratam os seus 38 anos de governação.


Um ex-aliado de Eduardo dos Santos pensa que este “perdeu o controlo do país, deixou de controlar os filhos e, pelos vistos, também já não controla a FESA”. “Com tanta dor de cabeça, o homem não merecia que lhe causassem mais arre- lias utilizando a fundação como escudo”, afirma fonte ligada à FESA. Eduardo dos Santos terá aconselhado o general a devolver os documentos.

O advogado deste desdramatiza, assegurando ao Expresso que o seu cliente prestou todos os esclarecimentos que se im- punham.


“Não há documentos confidenciais, o que recolheu e levou para a casa são elementos históricos que fazem parte de um trabalho de investigação militar, histórica e científica relacionado com as grandes batalhas militares que ocorreram Angola na zona do Cuíto Cuanavale e que está a compilar em livro”, disse Sérgio Raimundo. Constituído arguido e ouvido pela Procuradoria Militar, o general aguarda agora conclusão da instrução do processo.

 
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