Procura de paradeiro
08-05-2019 | Fonte: Jornal de Angola (José de Mátis )

Acusem-me de leviandade se for o caso. Mas a minha consciência recusa-se ao silêncio, perante uma situação a todos os títulos inconcebível, quase a roçar os píncaros do absurdo, ou mesmo a transpor o limite da capacidade compreensiva de qualquer mortal.

Angola estará dentro de poucos meses a disputar o Mundial de basquetebol, que terá a milenar China como sede, e onde o objectivo não será senão de melhorar a classificação em relação à edição anterior. O Unitel- basket é, a meu ver, e de outros entendidos, a esplendorosa montra onde se pode escolher, a dedo, os melhores activos para a Selecção Nacional.

Paradoxalmente, o seleccionador nacional não está nem aí. Não tendo acompanhado a fase regular do campeonato, era suposto que conjugasse algum esforço para ao menos estar presente na ponta final. Nem isto. Segunda-feira teve início a final dos “playoffs” entre Petro e 1o de Agosto, a melhor de sete jogos, e do seleccionador nem sombra.


É que às tantas ficamos sem perceber que regime de contrato foi celebrado entre a direcção da Federação Angolana de Basquetebol e o treinador norte-americano. É, realmente, estranho o que se está a passar no basquetebol. Não lembra o percurso da nossa selecção, que escreveu páginas brilhantes pelo continente, ter sido orientada à distância ou por interpostas pessoas.
O que estará o senhor William Bryant Voigt a fugir em Angola? O foco de mosquitos? O trânsito caótico? O deficiente serviço de saúde? Quando assumiu o com- promisso não sabia quais eram as especifidades do nosso país? E mais: o dinheiro ganha-se submetendo- se a riscos e a outras vicissitudes.

É que neste regime de trabalho, dificilmente se consegue forjar uma equipa eficaz e capaz de cumprir à risca com os objectivos competitivos traçados, porque não há interacção técnico/atletas. São quase elementos estranhos, que cruzam em contactos ocasionais. Angola que nasceu Victorino Cunha, Wlademiro Romero “Lulu”, Alberto de Carvalho “Ginguba” e outros da nova vaga não tem treinadores de basquetebol para se submeter aos caprichos de um técnico que não está nem aí?


E não me venham cá falar em atitude xenófoba. Longe disto. A minha reacção seria a mesma caso se tratasse de um angolano, que ao lugar de actuar no terreno, onde por sinal sai o dinheiro com que é pago, prefere andar refastelado em ambientes de luxúria por outras paragens. Está claro, quem faz o seu trabalho são os outros. Ele, no fundo, só está presente na hora do repasto.

 
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