Polícia da Lunda-Norte nega existência de vala comum
21-05-2019 | Fonte: O País

Uma publicação do professor e activista cívico Nuno Álvaro Dala, na sua página do facebook, dá conta de que foram encontrados cadáveres na localidade de Calonda, nas imediações de Lucapa, província da Lunda-Norte. Os dados recolhidos junto de cidadãos locais indicam que os referidos cadáveres são de pessoas torturadas e mortas por agentes da Polícia Nacional e operativos de empresas de segurança privada.

O activista vai mais longe, apontando a existência de dezenas de corpos “enterrados” em valas comuns, e que a Procuradoria Geral da República e o Serviço de Investigação Criminal (SIC) deviam proceder às devidas investigações a fim de se apurar as causas das mortes, os autores das mesmas, bem como serem despoletadas diligências judiciárias.

“É inaceitável que o país continue a ser palco de barbaridades e silêncios cúmplices por parte das entidades e instituições cujas responsabilidades devem ir para além das meras promessas de investigar”, enfatiza o professor e activista cívico. Diante desta situação, a Delegação Provincial do Ministério do Interior, na Província da Lunda- Norte emitiu, ontem, um comunicado dizendo que tal denúncia não passa de informações caluniosas, de indivíduos descontentes com trabalho de combate ao garimpo e à imigração ilegal, que têm sido desencadeadas pelas forças do sistema de segurança, a nível do município do Lucapa. Um único caso suspeito foi detectado no referido município, propriamente na localidade de Calonda, segundo ainda o comunicado.

No passado dia 04 de Maio do ano em curso alguns cidadãos, membros de uma mesma família, comunicaram à Polícia o local do desaparecimento de um ente querido na área do Camafuca, zona do Projecto Calonda. “No que toca às imagens sobre a existência de uma suposta vala comum, elas são falsas, na medida em que um só caso isolado foi registado até ao momento, e refere- se ao corpo de um cidadão nacional, de 35 anos de idade, que em vida se chamou Manhonga Matos, natural da Comuna de Caluango, município do Cuilo, que já se encontrava enterrado, por ter sido vítima de disparo de arma de fogo, cujos autores, devidamente identificados, encontram- se a contas com a justiça”, lê-se, no documento.

O documento assinado pelo inspector-chefe de migração, Rodrigues Zeca, indica que a informação que circula nas redes sociais, tão pouco indica a área onde se pode localizar a suposta ‘vala comum’, muito menos faz referência a vários cidadãos que reclamam o desaparecimento de seus familiares. Por fim, a Delegação Provincial do Ministério do Interior diz defender o bem vida, como um direito consagrado na Constituição da República e condena a atitude dos prevaricadores. Por isso, “apelamos aos cidadãos para confiarem nas Instituições policiais, pois são órgãos vocacionados para a prestação de informações fidedignas, no domínio da segurança pública e evitar desacatos recorrentes aos Agentes da autoridade”, defende, em comunicado de imprensa.

 
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