FMI em Angola: Empréstimo a troco de quê?
20-06-2019 | Fonte: DW

Que efeitos tem o empréstimo do Fundo Monetário Internacional na vida dos angolanos? Analista alerta para "cocktail" de dificuldades, com austeridade e diminuição do poder de compra, e aumento da insatisfação.


Há uma imagem a circular nas redes sociais que retrata provavelmente o sentimento de vários angolanos em relação a uma medida aprovada este ano pela Assembleia Nacional, a introdução do Imposto sobre o Valor Acrescentado (IVA). Em primeiro plano na imagem, alguém mostra o dedo do meio a um cartaz, com fundo azul e letras brancas, onde está escrito "O IVA veio para ficar".


A implementação do IVA é uma medida solicitada pelo Fundo Monetário Internacional (FMI), que acaba de aprovar o pagamento da segunda "tranche" do empréstimo a Angola de 3,7 mil milhões de dólares.


Um dos objetivos com a introdução do IVA (com uma taxa única de 14%) é aumentar as receitas públicas para equilibrar as contas deficitárias do Estado. Mas a vida dos angolanos deverá encarecer ainda mais. O Governo antecipa para este ano uma descida da taxa de inflação. No entanto, o valor previsto no Orçamento Geral do Estado (15%) continua a ser bastante alto. E o aumento dos preços não tem sido acompanhado de uma subida dos salários, lembra o jornalista angolano Carlos Rosado de Carvalho.


Em entrevista à DW África, Rosado de Carvalho revela que, de 2014 até hoje, os angolanos perderam cerca de 43% do poder de compra. Agora, o "cocktail" de dificuldades deverá aumentar com a austeridade associada ao programa do FMI.

 
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