Que interesse ainda tem Angola no mercado imobiliário português?
12-11-2019 | Fonte: DW

Clientes angolanos continuam a comprar casas em Portugal, mas em menor percentagem do que no período do boom petrolífero. Dificuldades de transferência de capital entre Luanda e Lisboa explicam investimento menor.
 
 
Atualmente, não fazem tanto parte da carteira de clientes as figuras da elite angolana que antes viajavam para Portugal para comprar apartamentos de luxo com dinheiro alegadamente de origem duvidosa.
 
O angolano Emir Sabalo vive há cerca de quatro anos em Portugal. Foi aqui que começou a trabalhar como consultor imobiliário, acabando por abrir uma agência em Lisboa, no ano passado, com a ajuda de um sócio. Antes dos projetos que quer implementar em Angola nesta área, faz parte dos seus planos comprar uma habitação na capital portuguesa.
 
 
"Estou a tratar disso. Por enquanto só vendo [casas]. É mais barato comprar uma casa no centro de Lisboa do que no centro de Madrid ou Londres, por exemplo. Mas dá sempre para se conseguir efetuar uma boa compra", disse.
 
 
Em 2016, Angola liderava a lista de compras em Portugal, incluindo imovéis e a gama de apartamentos de luxo em zonas como Estoril, em Cascais. De acordo com as estatísticas oficiais, só entre janeiro e julho daquele ano, o número de compras feitas por cidadãos angolanos representou 37% do universo total de compras feitas por turistas em Lisboa.
 
Investimentos
 
Algumas das aquisições foram feitas ao abrigo dos vistos Gold, um pacote de incentivos criado pelo Estado português para atrair investidores estrangeiros. Ricardo Amantes, diretor do Departamento de Vendas e de Investimentos da Coporgest, uma empresa a operar no mercado há 14 anos, confirma que naquele período de boom económico em Angola, o mercado imobiliário se beneficiou bastante com as aquisições feitas por clientes angolanos de médio e alto rendimento.
 
"Exatamente. Nos anos de 2008, havia uma grande procura por parte de clientes angolanos que, entretanto, ao longo dos tempos tem vindo a diminuir. Hoje são bastante poucos, em grande medida, fruto das dificuldades de trazer dinheiro de Angola para Portugal. Existem regras muito apertadas e limitadas para a transferência de fundos e, como tal, isso limita a capacidade de investimento dos clientes angolanos", explica.
 
Em parte, isso afetou indiretamente os negócios da empresa, "porque os clientes angolanos eram uma fatia importante do mercado", diz. Apesar disso, Portugal continua a ter a preferência de clientes oriundos de Angola. "Sem dúvida. Existe uma grande proximidade cultural, na medida em que falamos a mesma língua e os clientes angolanos sempre olharam para Portugal como um mercado que lhes é querido", acrescentou Ricardo Amantes.
O angolano Emir Sabalo concorda. "O fluxo não é o mesmo – tão dinâmico como era antes – mas continua a haver muito negócio de clientes angolanos a adquirirem cá habitação própria", afirma.
 
Há quem tenha comprado mais de uma casa para reunir a família durante as férias ou por ter filhos a estudar em Portugal, tal dá conta o jovem angolano, que diz ser este um bom investimento. "Há sempre oportunidade de rentabilizar o negócio", garante o consultor que trabalha com clientes de vários países, entre os quais angolanos, alemães, brasileiros e moçambicanos.
 
Sandra Fragoso, gestora do Salão Imobiliário de Lisboa (SIL), confirma que Portugal continua a despertar muito interesse dos investidores estrangeiros. "Os países de língua oficial portuguesa tradicionalmente sempre investiram em Portugal. Isso, obviamente, irá sempre acontecer, com mais aceleração ou algum abrandamento", concluiu.

 
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