Corrupção na Namibia envolve angolanos
21-11-2019 | Fonte: VOA

João de Barros, filho da antiga ministra das pescas de Angola, Victoria de Barros Neto(na foto), foi um dos beneficiários do esquema de corrupção envolvendo a Namíbia, Angola e uma companhia da Islândia, revelou o jornal The Namibian.
 
O escândalo envolve contractos de pesca assinados pela antiga ministra e a Namíbia em 2014 que resultaram recentemente na demissão de dois ministros namibenses.
 
Os acordos envolvem um total de 170 milhões de dólares e envolvem também a companhia nacional de pescas da Namíbia e a companhia Namgomar uma alegada joint-venture dos dois países e chefiada por Ricardo Gustavo da companhia de investimento Investec Asset Management.
 
A Namgomar era a conduta das licenças doações de quotas de pesca entre os dois governos que foram contudo depois usadas por entidades privadas e indivíduos.
 
Segundo os documentos os angolanos envolvidos beneficiaram de um esquema que visava essencialmente enriquecer os ministros namibenses e os seus associados
 
Johannes Stefanson, antigo funcionário da empresa islandesa e que divulgou os documentos, o acordo bilateral foi feito “para criar rendimentos para pessoas chave na Namíbia e em Angola mas principalmente na Namíbia”.
 
A Namgomar vendeu as quotas de pescado doados pela Namíbia a Angola  uma companhias de pesca da Islândia muito abaixo dos preços de mercados que depois pagou comissões de consultoria.
 
Uma companhia com o nome de uma região turística angolana, Tundavala, foi registada no Dubai para canalizar cerca de dez milhões de dólares de comissões de consultoria
 
Os nomes das pessoas envolvidas, incluindo Victoria e João de Barros, estão contidos em e-mails, recibos de pagamentos, facturas e contas bancárias fornecidos pela organização Wikileaks ao jornal The Namibian e outras órgãos de informação.
 
“E-mails mostram que João de Barros beneficiou da Nangomar”, diz o jornal.
 
Segundo os documentos agora revelados João de Barros acompanhou o director da Investec James Hatuikulipui , o ministro da justiça da Namíbia Sacky Shangalala e o genro do ministro das pescas namibense à Islândia em 2013 durante as negociações.
 
Um ano mais tarde Hatuikuilipui enviou um e-mail ao director da companhia islandesa insurgindo-se contra o facto da companhia ter levantado dúvidas sobre a necessidade de se fazer pagamentos em avanço a Angola.
 
O director da Investec escreveu que “temos os ministros de Angola e Namíbia a trabalharem para assegurar que vamos ter acesso a esses locais de pesca”, avisando depois que as dúvidas da companhia islandesa poderiam pôr em causa o acordo com Angola.
 
Mais tarde já depois do acordo ter sido assinado os namibenses disseram à companhia islandesa que “temos que preparar um plano para a Angola e administrar os parceiros angolanos e as suas expectativas”.
 
“A oportunidade que temos em Angola e na Namíbia não existe para todos. Antes de alguém acordar temos que avançar e ter um impacto. Isso irá proteger ambos os ministros”, diz uma nota agora divulgada
 
Em Janeiro deste ano o presidente angolano João Lourenço demitiu a ministra das pescas Victoria Barros mas não se sabe se a demissão está ligada a este caso.
 
Os ministros das pescas e da justiça da Namíbia demitiram-se e as contas bancárias do ministro da justiça e de Hatuikulipi foram congeladas.

 
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