Expatriados absorvem em salários 2,4 mil milhões de dólares por ano
25-11-2019 | Fonte: Jornal de Angola

Angola gasta anualmente 2,4 mil milhões de dólares em transferências bancárias de salários de expatriados, revelou, sábado, na cidade do Lubango (Huíla) o economista José Severino, citando informações do Banco Nacional.


Falando num debate que marcou o Dia da Indústria Nacional, o economista disse estar na posse de informações do Banco Nacional de Angola que dão conta de que dos 500 milhões de dólares que a instituição disponibiliza mensalmente para operações económicas, 45 por cento vai para o pagamento de salários aos cooperantes.


Para inverter a situação, o presidente da Associação Industrial de Angola (AIA) defende a aposta na chamada “formação dual”, sistema alemão que combina o aprendizado teórico e prático, com remuneração, em sectores em que o país mais precisa de força de trabalho qualificada.


O ideal, de acordo com José Severino, é que a percentagem que o país despende com o pagamento de salários a expatriados fosse reduzida, até 2021, de 45 para 25 por cento do montante global que o Banco Nacional destina, mensalmente, a operações económicas.


Apesar dos esforços financeiros que o Banco Nacional faz para assegurar as transferências dos salários de cooperantes, ainda há quem se queixe de alegadas falhas da instituição.


O empresário José Dias, que actua no ramo das rochas ornamentais, disse, na ocasião, que a sua firma enfrenta dificuldades no pagamento de salários aos trabalhadores expatriados. Desde Julho que os bancos comerciais não conseguem fazer a transferência, declarou. Como consequência, prosseguiu, os cinco trabalhadores que tinha nessa condição o abandonaram.


Lembrou que a força de trabalho estrangeira é ainda fundamental nas indústrias angolanas, pelo facto de o país carecer ainda de mão-de-obra especializada.


João Black, membro da Associação Agro-opecuária, Comercial e Industrial da Huíla (AAPCIL), apontou como solução a inclusão de estágios profissionais no processo de formação.


Para tal, defendeu, é preciso que o Estado crie incentivos para os industriais, como certificados de crédito fiscal, a quem dá estágio a jovens.


Participaram no chamado “Debate Vector”, que serviu para relançar o programa radiofónico Vector, que completou 20 anos de existência, representantes de mais 60 unidades industriais. O evento foi promovido pelo Gabinete de desenvolvimento económico integrado da Huíla.

 
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