Criminoso é criminoso, morto ou vivo - Florbela Malaquias
11-12-2019 | Fonte: NMC / LAC

A jornalista Florbela Catarina Malaquias concedeu hoje, uma entrevista ao Jornalista José Rodrigues, no programa Café da Manhã, na LAC.
 
A entrevista cingiu-se aos vários aspectos do ‘best seller’ "Heroínas da Dignidade", da antiga militante da Unita.
 
Malaquias, disse que lidava com Savimbi de muito perto, desde o inicio da guerra, “fui qualificando o senhor como alguém que não era de confiar, alguém cujo o projecto era muito pessoalizado. E como um bom manipulador que é todo psicopata, leva as multidões nas suas euforias e ilusões, e as pessoas perdem o discernimento de associar as palavras à prática”.
 
Segundo Malaquias, as pessoas foram se deixando levar pela retórica, “que eu muito cedo me apercebi que não era verdade. A primeira desilusão foi quando perdeu a guerra no Huambo. Vi às pessoas saírem dispersas e de qualquer forma, porque semanas antes ele (Savimbi) tinha feito um comício grandioso, a garantir que a guerra não chegaria ao Huambo, que se o MPLA apresentasse um blindado, ele apresentava dois”, lembrou.
 
“As pessoas confiaram e relaxaram, poucos dias depois era um autêntico descalabro, e as pessoas não estavam preparadas”.
 
Aos mortos não se apontam defeitos
 
Esta máxima, Malaquias não subscreve, de todo. “Senão qualquer bandido depois de morto vira santo, o que não é o que se trata. Há pela história universal tantos casos de pessoas que foram sanguinárias e continuam a ser até hoje, por que é que o africano transforma o morto em santo?” questionou.
 
“Santo, é santo em vida, e depois de morto, é santo. Agora, um criminoso não é a morte que o vai redimir. Criminoso é criminoso morto ou vivo. Há regimes em que o criminoso é enterrado algemado”, sentenciou.
 
“Senão depois como fica a história? O que saberíamos sobre o nazismo, Camboja, Stalin. Como é possível que pessoas que abraçam a democracia não aceitam a verdade?”.
 
Militância
 
“Acho que um partido ou uma associação está abaixo da pessoa humana, estes partidos são algo que às pessoas consideram e fazem o partido, e a pessoa adere ou não, concorda ou não, porque a minha militância só a mim diz respeito e desliguei-me da Unita por vontade própria, porque não me identifico com aquilo”, disse.
 
Florbela lembrou que os maninhos que, quem esteve na base da instalação da Unita nas cidades em 66 foi a sua família, “e eu não sou fanática”.
“Lá porque aconteceu em casa dos meus pais, não acho que tenho que ficar porque é tradição. Sou daquelas que rompe com costumes e tradições. Cresci num ambiente de liberdade que é a casa do meu pai, por isso não me identifico com este tipo de ceita que é a Unita”.
 
Livro encomendado pelo MPLA?
 
“Essa narrativa é própria de pessoas da Unita, estive na Unita e sei como lá dentro constroem estas correntes, estes rótulos para depois lançaram cá fora, é próprio deles, senão fizessem isso deixaria de ser Unita. Enquanto forem Unita vão fazer sempre isso. E fico admirada, como é que as pessoas entendem que um livro que narra a sua história pessoal, pode ser encomendada por uma segunda pessoa”.
 
Mais livros a caminho
 
Eu tenho uns seis outros livros na forja, e vou lançar, porque não quero morrer e levar tudo que tenho na cabeça, quero que as pessoas saibam aquilo que passei.
E há uma grande inverdade nestas questões de militância, ser militante não é ser mártir, eles (Unita) passaram toda a vida a apontar-me com arma. Já me apontaram com arma mais de seis vezes, quem considera alguém de militante não faz isso. O brasão que eles usam até hoje quem fez fui eu, eu fiz o hino da Lima, na altura deviam se ter pronunciado dizer que só queriam produtos feitos por militantes.

 
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