Endiama: Ex-trabalhadores e direcção em desacordo quanto a indemnizações
14-01-2020 | Fonte: TV Zimbo

Meia centena de trabalhadores de antigos projetos mineiros da Endiama aproveitaram hoje as comemorações do 39.º aniversário da empresa para protestar frente à sua sede, exigindo o pagamento de indemnizações que a diamantífera diz já ter regularizado.


Paulo da Conceição, representante dos trabalhadores de cinco projectos diamantíferos no Lucapa (Luanda Norte) disse que a Endiama (Empresa Nacional de Diamantes de Angola) está "a fazer finca-pé com os trabalhadores", exigindo o pagamento de reformas e indemnizações.


"O que queremos é a reforma e a indemnização. Eles dizem que já fomos indemnizados, sendo essa quantia equivalente a 17 meses de salário, mas foram apenas pagos sete", criticou o porta-voz dos trabalhadores durante o protesto, em Luanda.


Paulo da Conceição lamentou que na Sociedade Mineira do Lucapa (SML), que contava com uma participação da estatal Sociedade Portuguesa de Empreendimentos (SPE), a diamantífera angolana tenha indemnizado a SPE e deixado os trabalhadores à sua sorte.


O conflito que opôs a estatal angolana e a SPE ao longo de cinco anos chegou ao fim no final de 2016 com a assinatura de um acordo de cedência da quota de 49% da SPE na SML à Endiama em troca de um pagamento de 130 milhões de dólares (116,8 milhões de euros).


José Fernandes Borges, um ex-trabalhador da Endiama no projecto diamantífero de Luarico explicou que estão em causa salários, pagamento à Segurança Social e indemnizações que envolvem 2.408 trabalhadores do Lucapa. Tudo começou quando as minas "baixaram de rendimento" em 2008, levando a Endiama a dispensar os trabalhadores "até segundas ordens", contou.


"Em 2013, a Endiama manda chamar e dá-nos os salários bases, mas desde essa altura nem água vai nem água vem, não nos indemnizou, nem nos deu os dias de atraso", queixou-se José Fernandes Borges.


Segundo afirmou, nas negociações com a empresa que tiveram lugar em dezembro, a empresa terá dito que poderiam "pagar um salário para passar a quadra festiva e depois iam resolver o problema".


Em declarações aos jornalistas, após o balanço da actividade da empresa, o presidente do conselho de administração da Endiama, José Manuel Ganga Júnior, reconheceu a existência de um "passivo" à Segurança Social, mas negou que haja pagamentos de salários ou indemnizações por regularizar.


Em causa estão processos que remontam a 1992 e 2008, envolvendo um total de cerca de 6.000 trabalhadores, nas contas da Endiama.


"Temos estado a trabalhar e temos o caminho solucionado, trabalhámos junto de Instituto Nacional de Segurança Social para fazer o cálculo das contribuições devidas", disse Ganga Júnior.

 
Comentários
Quer Comentar?
Nome E-mail ou Localização
Comentário
Aceito as Regras de Participação