Palancas cruzam caminho dos faraós
22-01-2020 | Fonte: Jornal de Angola

A Selecção Nacional de Honras de futebol vai disputar a segunda fase da zona africana de apuramento para o Mundial de 2022, a ter lugar no Qatar, inserida no Grupo F, ao lado das similares do Egipto, candidata a ocupar o primeiro lugar, Líbia e Gabão, ditou o sorteio realizado ontem à noite, na cidade do Cairo.
 
Colocados no Pote 4, reservado aos países com a pior classificação entre as selecções habilitadas para a referida etapa de qualificação, os Palancas Negras vão discutir, a partir de Outubro, durante exactamente um ano, o direito de marcar presença na última barreira.
 
Comandada pelo português Pedro Gonçalves, promovido dos Sub-17 aos seniores, a equipa nacional, que deixou pelo caminho a congénere da Gâmbia, está na corrida como uma das menos competitivas, a julgar pelo posicionamento nos “ranking” africano e mundial.
 
O Egipto, anfitrião da última Taça das Nações, eliminado nos oitavos-de-final pela África do Sul, tem a maior força competitiva entre os quatro países que compõem a série. Mohamed Salah, estrela do sensacional Liverpool da Inglaterra, é a principal referência dos Faraós, apostados em corrigir o enguiço registado na festa do futebol continental.
 
A selecção do Gabão surge como segunda força, com relativo ascendente sobre a Líbia, país assolado pela instabilidade política e militar, que obriga a equipa a competir em terreno neutro. Apenas a democracia, traço caracterizador do “desporto rei” , fértil em protagonizar surpresas, acende uma réstia de esperança para os Palancas Negras.
 
No Grupo A, a Argélia, campeã africana, é candidata a assumir a primazia na disputa com o Burkina Faso, Níger e Djibouti. As Raposas do Deserto, lideradas em campo pelo cerebral Riyad Mahez, do Manchester City, tem mais argumentos na discussão do passe.
 
Em fase de reestruturação, a Tunísia é a principal força no Grupo B, ao lado da Zâmbia, Mauritânia e Guiné Equatorial. Pouco afirmativas no CAN, as Águias de Cartago possuem argumentos para chamarem a si a qualificação, numa série em que, à partida, terão a concorrência dos Chipolopolo zambianos.
 
A Nigéria é o “carro chefe” do Grupo C, integrado pelo lusófono Cabo Verde, República Centro Africana e Libéria. As Super Águias são, por força do posicionamento classificativo, favoritas ao primeiro lugar, com oposição dos Tubarões Azuis cabo-verdianos.
 
Choque de colossos
 
O Grupo D reserva um choque de gigantes, por juntar Camarões e Costa do Marfim, concorrentes mais capazes na comparação com Moçambique e Malawi. Os Leões Indomáveis têm em agenda dois jogos equilibrados frente aos Elefantes, que procuram regressar aos tempos áureos, como potência no continente.
 
Mali, Uganda, Quénia e Ruanda criam um quadro de equilíbrio no Grupo E, enquanto no G o despique directo opõe o Ghana à África do Sul, com o Zimbabwe e a Etiópia a completar a série. Estrelas Negras e Bafana Bafana estão alguns furos acima dos adversários.
 
O Senegal de Sadio Mané, vice-campeão africano, tem voz de comando no Grupo H, que integra ainda Congo, Namíbia e Togo, países que vão procurar contrariar o favoritismo. Marrocos, Guiné, Guiné Bissau e Sudão formam o Grupo I, onde os Leões do Atlas e o Sily Nacional são os mais capazes.
A fechar, o Congo Democrático destaca-se no Grupo J, no qual terá a companhia do Benin, Madagáscar e Tanzânia. Os malgaxes, um dos destaques do CAN do Egipto, prometem continuar a surpreender a elite africana, com futebol apelativo.
 
A segunda fase apura os vencedores dos dez grupos, para um emparceiramento, por sorteio, com vista a decisão, em eliminatória directa a duas mãos, dos ocupantes dos cinco lugares reservados à África. No Mundial de 2018, na Rússia, Senegal, Nigéria, Egipto, Marrocos e Tunísia representaram o continente.
 
Os países com o maior número de jogadores a evoluir na Europa têm dominado a corrida à prova mundial, pela maior rodagem competitiva adquirida nos campeonatos e nos principais torneios de clubes. Raras são as vezes que selecções compostas por futebolistas que actuam em África conseguem a qualificação.

 
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