Embaixada de Angola em Portugal exonerou-se das suas responsabilidades
22-01-2020 | Fonte: NMC

Os cidadãos angolanos residentes em Portugal têm sido tratados como um saco de pancada pelas autoridades daquele país.Volta e meia assistimos casos de racismo extremo ou de abuso de autoridade sem precedentes.
 
O caso recente, da nossa compatriota, Cláudia Simões, 42 anos de idade, que foi barbaramente agredida na via pública, em frente a filha de oito anos de idade, por agentes da Polícia de Segurança Pública deveria no mínimo suscitar alguma reacção do corpo diplomático angolano. Cláudia Simões descreveu a noite de horror que viveu nas mãos da polícia, na Amadora, depois da filha de oito anos se ter esquecido do passe em casa.
 
Já com o rosto desfigurado, sem conseguir abrir os olhos e com os lábios rebentados, Cláudia Simões conta a sua versão dos factos ao Contacto em casa num ambiente pesado de consternação. Ainda não passaram 24 horas do horror que começou na camioneta da Vimeca e chegam familiares revoltados. Nenhum consegue esconder a dor, espelhada nos lábios abertos da angolana, vítima de um espancamento que só se tornou público pela partilha nas redes sociais.
 
A nossa compatriota diz que o motorista quando se apercebeu que esta tinha esquecido o cartão da filha proferiu as seguintes palavras: “Vocês, pretos, macacos, ficam aqui a encher o nosso país. Estamos fartos de vocês. Vão embora para a vossa terra”. Alguns passageiros perguntaram, então, ao motorista se não tinha familiares no estrangeiro. “Era uma senhora de idade. O condutor começou a ofender toda a gente no autocarro e as pessoas revoltaram-se”.
 
O embaixador Carlos Alberto Fonseca para fingir, e sem ter que ser pressionado pela imprensa ou pelo ministro de tutela, deveria pelo menos simular que estava ao corrente da situação, Pelo menos uma nota de protesto.
 
Importa realçar que estas mesmas missões diplomáticas, espalhadas pelos quatro cantos do globo, recebem o nosso dinheiro para tratar junto dos países em que nos relacionamos, assuntos do interesse de todos angolanos. Então, custa assistir a episódios desta espécie, sem que as autoridades angolanas soltem algum pio.
 
VIOLÊNCIA NO BAIRRO JAMAICA
 
No princípio do ano passado, exactamente do mesmo dia em que se comemorava um ano em que cinco membros da mesma família, angolanos, foram brutalmente agredidos em Lisboa, Portugal, no bairro da Jamaica.
 
Trata-se de Fernando Coxi (pai), Julieta Coxi (mãe) e mais três filhos. Todos foram brutalmente agredidos. As agressões, segundo a versão da Polícia de Segurança Pública (PSP), tiveram como razão inicial o arremesso de pedras por parte de um homem de 32 anos, de naturalidade angolana, aos agentes que se deslocaram ao bairro Jamaica.
 
Esta versão foi, no entanto, desmentida pela família Coxi, que garante que os agentes da PSP chegaram ao bairro com uma clara predisposição para a agressão sem que sejam conhecidos os motivos.
 
Ou seja, todas as vezes que agentes da polícia portuguesa partem para agressão, acusam sempre os angolanos de ter começado a violência. Há sempre uma desproporcionalidade de força e meios. Os civis e desarmados acabam sempre feridos, detidos e a culpa a morrer solteira.
 
MATAMBA JOAQUIM AGREDIDO PELA POLÍCIA EM LISBOA
 
Em Agosto de 2016, Segundo o SOS Racismo, o actor angolano foi vítima de “agressões e insultos racistas, acrescidos de troça”.
O caso foi denunciado num comunicado do Movimento SOS Racismo, que descreve que o actor do grupo Teatro Griot e um amigo foram “barbaramente agredidos” por agentes que circulavam numa viatura de patrulha da PSP. Houve uma discussão até que “Matamba Joaquim e o seu amigo foram detidos para serem conduzidos à esquadra da Baixa” de Lisboa.
 
“Durante a viagem [os dois] foram agredidos e insultados por agentes”, disse o movimento, acrescentando que “as agressões e os insultos racistas, acrescidos de troça” continuaram na esquadra..
 
Em Maio de 2014, uma jovem comerciante angolana foi barbaramente espancada por agente da polícia portuguesa em Lisboa na linha de Sintra, com auxílio de um segurança que faz guarda ao estabelecimento onde Maria Sala tem um restaurante.
 
Maria Sala foi inclusivé algemada frente à sua criança de cinco anos de idade como se fosse uma criminosa. Segundo os relatos, após a sua detenção Maria Sala continuou a sofrer agressões, tendo que ser assistida num hospital da área. Foi igualmente alvo de insultos racistas, segundo contou a vítima pelo agente que a deteve alegando desacato à autoridade. Maria Sala identificou o agente de polícia agressor, como tendo o nome Jorge Manuel Pires Sebastião, afecto à Esquadra de Massamá.
 
AUTORIDADES PORTUGUESAS RECEBERAM CASO DE CABO-VERDIANO MORTO EM DEZEMBRO COMO ALCOOLIZADO CAÍDO NA RUA
 
O caso do estudante cabo-verdiano que morreu no dia 31 de Dezembro chegou às autoridades de Bragança como um possível alcoolizado caído na rua sem menção a agressões ou ferimentos, contou esta segunda-feira à Lusa fonte dos bombeiros locais.
 
Só depois de chegar ao local e avaliar a vítima - o jovem Luís Gionavi Rodrigues de 21 anos - é que a equipa de emergência descobriu um ferimento na cabeça e "verificou que se tratava de um possível traumatismo craniano", indicou o segundo comandante dos bombeiros de Bragança, Carlos Martins.
 
De acordo com o responsável, a possibilidade de o ferimento ter resultado de agressão foi levantada já depois de a vítima ter sido conduzida ao hospital de Bragança e transferida para outra unidade hospitalar, no Porto, onde morreu na madrugada de 31 de Dezembro.
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O jovem estava caído na Avenida Sá Carneiro, junto a uma loja (a W52), mais de meio quilómetro e alguns minutos a pé do bar Lagoa Azul, onde terá estado com um grupo de amigos e onde terá começado uma desavença apontada como a origem da agressão. Porém, multiplicam-se as vozes que associam a morte do estudante do Instituto Politécnico de Bragança Luís Giovani dos Santos Rodrigues ao ódio racial.
 
ANGOLANOS NA DEFENSIVA
 
A sociedade angolana tem-se mostrado indignada com estes actos de racismo, manifestado por alguns sectores da sociedade portuguesa, com maior realce a Polícia de Segurança Pública. Vivem em Angola centenas de portuguesas que são tratados de forma cordial, às vezes, acima do necessário.
 
Os angolanos que se deslocam ao país europeu esperam o mesmo tratamento naquele território, o que, reiteradas vezes, tem sido o contrário. Urge a necessidade das autoridades angolanas colocarem um ponto final nestes episódios. Refrescar a memória do embaixador angolano em Portugal, esclarecer que o político não está aí para usufruir apenas da viatura diplomática e das mordomias. É preciso começar agir, agir a favor dos angolanos.

 
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