Luanda faz hoje 444 anos
25-01-2020 | Fonte: Jornal de Angola

Cinco milhões de pessoas deslocam-se diariamente ao centro da cidade de Luanda, onde moram cerca de dois milhões de habitantes, para tratar diversos assuntos, revelou ao Jornal de Angola a presidente da Comissão Administrativa de Luanda, Maria Antónia Nelumba, por ocasião do 444º aniversário da capital, que hoje se assinala.
 
“Luanda é uma cidade metropolitana, onde habitam cerca de dois milhões de pessoas. Mas, durante o dia chegam a estar aqui mais de cinco milhões de pessoas de outros distritos, entre nacionais e estrangeiros, que vêm trabalhar, resolver qualquer situação ou até mesmo passear”, disse a responsável.
 
Maria Antónia Nelumba frisou que essa “avalanche” populacional cria uma enorme pressão sobre a cidade, cujos equipamentos sociais, reabilitados e novos, acabam por não resistir à pressão, disse para acrescentar que “tendo em conta o fluxo de pessoas, facilmente se degradam”.
 
Limpeza e saneamento
 
A presença diária desse elevado número de “visitantes”, bem como dos respectivos moradores, tem resultado na produção de enormes quantidades de resíduos sólidos, cuja limpeza é feita com muitas debilidades por empresas especializadas e com o contributo da Unidade Técnica Comunitária.
“Sem a Unidade Técnica Comunitária, não sei o que seria de nós. Mas temos muitos problemas, não sabemos como pagar os salários desta gente, estamos com cerca de um ano de atrasos”, revelou preocupada a responsável da Comissão Administrativa da Cidade de Luanda.
 
Maria Nelumba pretende resolver o problema dos integrantes da Unidade Técnica Comunitária com a sua inserção em regime de contrato, para que eles continuem a fazer esse trabalho. São cerca de 20 pessoas que respondem pela estrutura em cada distrito, cuja quantidade reconheceu ser diminuta para as necessidades.
 
Durante as últimas chuvas que se abateram sobre Luanda, a intervenção das Unidades Técnicas Comunitárias foi fundamental no desassoreamento das valas de drenagem e na limpeza dos colectores, disse a presidente da Comissão Administrativa referindo que muitas vezes as estradas estão inundadas, porque os colectores estão entupidos com plásticos, garrafas e outros objectos.
Maria Nelumba revelou que a Comissão Administrativa de Luanda já solicitou ao Ministério das Finanças para que, pelo menos, no âmbito das receitas recolhidas na capital seja retirada uma verba para pagar estes homens afectos à Unidade Técnica Comunitária.
 
Em Luanda, não há urinóis público a funcionar. Havia um projecto de instalação de cerca de 70 estruturas, para as necessidades fisiológicas dos cidadãos, mas o mesmo não finalizou e algumas infra-estruturas colocadas em algumas zonas da cidade foram vandalizadas, disse Maria Nelumba. Existe um programa para a reabilitação daqueles urinóis que ainda podem ser recuperados, disse a entrevistada do Jornal de Angola, referindo que a estrutura que dirige recebeu solicitações de três empresas que manifestaram interesse em realizar este trabalho.
 
"Reconheço que existem locais no centro da cidade de Luanda em que é difícil passar devido ao mau cheiro produzido através de urina e fezes ao ar livre, efectuadas por alguns cidadãos, devido à falta dessa infra-estrutura social. Estamos a trabalhar nisso para mudar o quadro", garantiu.
 
Projectos estruturantes
 
Quanto aos projectos estruturantes, como por exemplo, o metro de superfície, Maria Antónia Nelumba desconhece os meandros da sua implementação, por ser de iniciativas de âmbito central.
“Fomos chamados para ter conhecimento, só no âmbito do acompanhamento. Por exemplo, na linha férrea, que é uma obra que já está a ser executada, há muito tempo, não temos participação na sua elaboração”, contou.
 
Fiscalização
 
A recolha de animais, a organização da venda ambulante e em locais impróprios, a disciplina das oficinas de rua, são tarefas da responsabi-lidade dos serviços comunitários, mas a responsável queixou-se da existência de poucos meios para uma me-lhor actuação dos Serviços de Fiscalização.
De qualquer forma, Maria Nelumba acha que aquele órgão da Comissão Administrativa da Cidade de Luanda podia fazer mais. "Entendemos que eles podem melhorar a sua prestação".
 
“Já há uma orientação do Governo da Província de Lu-anda para eliminarmos todas essas oficinas de rua, que não estão autorizadas. Para exercer uma actividade comercial, tem de ter um espaço determinado e legalizado. É o exercício eficaz de fiscalização que tem de fazer o seu papel e colocar disciplina neste tipo de comportamento”.

 
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