«Onde começa e acaba o uso dos Símbolos Nacionais», por Eugénio Costa Almeida
13-10-2005 | Fonte:
Procurei no sítio da Assembleia Nacional Angolana onde se “sentava” o deputado Alcântara Monteiro. Como diz a canção, procurei e não encontrei; e não foi por não ter procurado tentar saber e no sítio que, mais naturalmente, me deveria elucidar. Acontece que o sítio da Assembleia Nacional (AN) ainda consegue manter como deputados pessoas já falecidas, caso do desditoso deputado do PDP-ANA, Mfulumpinga N’lando Victor.

Nos 12 partidos, ou coligações, que formam a AN este nome está omisso. Das duas, uma: ou é um Deputado mistério, ou é substituto e ainda não o disseram aos serviços de Protocolo da AN. Não é crível que sabendo os serviços da sua existência não actualizassem o sítio. Pois não? Ou será que como vão mudar em 2006 – assim o esperamos – já não estão para actualizações nominais?

Mas tudo isto porque o sítio “Angola Acontece” refere que aquele senhor Deputado – até prova em contrário vou acreditar que o é – considerou falta de patriotismo o excesso de utilização dos símbolos nacionais, às vezes até como meios veiculares publicitários.

Bom. Os EUA, em geral, e a sua população, em particular, são muitas vezes – demasiado às vezes – acusados de serem broncos e incultos. Mas há uma coisa que nunca vi acusarem num norte-americano: de falta de patriotismo. E como eles os ingleses ou os brasileiros.

E se há povos que usam e abusam dos seus símbolos nacionais, nomeadamente a bandeira nacional, são estes três. E nunca ninguém os acusou de falta de patriotismo.

A Bandeira, as Armas, a moeda e outros quaisquer símbolos nacionais, podem ser um elo de união não só quando utilizados como elementos representativos de um Povo, um País ou uma Nação, mas também, quando utilizados como meios publicitários – ou até como vestuário ou nos cadernos que diariamente os nossos filhos abrem e folheiam – podem ser também um forte elo de ênfase nacionalista e patriotismo.

Lembram-se do Europeu 2004, em Portugal, quando a bandeira portuguesa – algumas incorrectamente confeccionadas – foi usada em sítios mais estranhos para apoiar a sua selecção. E lembram-se de apoiantes de outra selecções nacionais usarem roupas e autocolantes em lugares mais recônditos do corpo que mostravam alegremente às TV’s e ao Mundo?

E alguém diz ou afirmou que eles não eram patriotas, ou exibicionistas? Senhor Deputado – até prova em contrário e contrariando a nova moda portuguesa “de inversão do ónus”, vou continuar a considerá-lo como tal – tenho muito a honra de utilizar a bandeira do meu país na lapela do meu casaco, principalmente em certos eventos sociais.

Sou angolano e tenho honra nisso. Não uso um lenço ou outro adereço porque não tenho esse feitio. Mas se a ocasião o proporcionar não serei eu a dizer não. O patriotismo não se evidencia. Sente-se. E o senhor sente-o?
 
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