Agradável surpresa, no aniversário da esposa Jes jantou no Tambarino e saiu de lá são e salvo
30-10-2005 | Fonte: Semanário Angolense
Por indução da media angolana ou tão-somente por auto-consciência, a verdade é que a postura do Presidente José Eduardo dos Santos tem vindo a alterar-se perceptivelmente, separando-se devidamente o Chefe de Estado do homem e cidadão. Bem haja!
No passado dia 17 de Outubro, data de aniversário de Dona Ana Paula dos Santos, o Presidente angolano estaria, provavelmente, a pensar apenas como pensaria o comum dos maridos – ou seja, em proporcionar uma belíssima surpresa à esposa. Porém, no fundo, acabou por surpreender, positivamente, os seus concidadãos.
Que o digam as pessoas que jantaram, nesse dia, no restaurante Tambarino, à rua Serpa Pinto, Maianga. O Presidente e a Primeira Dama, radiante no dia dos anos, foram jantar ao Tambarino, surpreendendo tudo e todos.
Partisse isso de um Chefe de Estado como o português Jorge Sampaio, e seria um acto vulgar. Vindo de José Eduardo dos Santos é algo que assume um significado, se calhar, transcendental. Nota alta nisto é que o Presidente angolano levou a mulher a jantar num restaurante de Luanda, mas ainda por cima agiu com a maior discrição. Dispensando protocolos e formalismos, José Eduardo dos Santos nem sequer incumbiu os seus serviços de apoio de efectuarem uma reserva prévia. Apareceu e pronto. A gerência do restaurante, os empregados e os demais comensais que se encontravam na sala, todos, mas literalmente todos, acabaram surpreendidos quando viram o Presidente da República e a esposa na sala como um cliente qualquer.
Mas se fosse só isso, vá lá! É que nem sequer houve o habitual aparato proporcionado pelo forte dispositivo de segurança com que o Presidente se faz acompanhar a quase todo o lado, faça sol ou chuva. Não foi visto nas imediações um único soldado. Se houve guarda, e tinha de haver como é natural, esta esteve à paisana, discretíssima e difícil de identificar.
Testemunhas que relataram o facto ao Semanário Angolense garantem que foi tudo simples e surpreendente ao mesmo tempo. Quando José Eduardo dos Santos e a esposa transpuseram o umbral do Tambarino, os comensais lá dentro tiveram atitudes díspares. Enquanto uns quase se iam engasgando, outros não sabiam onde poisar as mãos, ou mesmo se deviam permanecer no local.
O Presidente angolano, que se sabe não ser dado a gestos teatrais ou desabridos, acalmou as pessoas com um pequeno aceno que queria dizer mais ou menos: «estejam à vontade». É claro que não estando os cidadãos habituados a isso, não se pode dizer que as pessoas tenham depois permanecido na mesma. Provavelmente, algumas terão perdido o apetite, mas o certo é que não houve alarido algum.
Para melhor entendermos o alcance do gesto do Presidente, convirá reter que o Tambarino não é um daqueles restaurantes espaçosos, onde os clientes passem mais ou menos despercebidos. José Eduardo dos Santos e a mulher não foram para um reservado onde pudessem estar a salvo de olhares e ouvidos de terceiros. Não. Estiveram como os demais. Presidente e Primeira Dama sujeitos à curiosidade e ao «voyeurismo» dos seus concidadãos.
Não nos foi possível apurar se José Eduardo dos Santos pagou ali mesmo a conta, tirando dinheiro vivo da sua carteira, se o fez por cheque, ou se deixou isso para os seus serviços de apoio. Seja como for, a opção pelo Tambarino é o que se pode considerar requintada para a oferta deste tipo de serviços que há em Luanda. Trata-se de um restaurante de classe alta, geralmente frequentado por homens de negócios, propriedade da Golusa Restauração, Lda., um grupo do empresário Lucrécio Cruz. O mesmo que tem vindo a gerir o Che (Complexo Hoteleiro da Endiama), a casa de estilo colonial em que Jonas Savimbi residiu até pouco depois das eleições de Setembro de 1992.
Mas nada de alarme: no Tambarino não corremos o risco de beber um whisky adulterado ou um vinho que não seja de região demarcada. José Eduardo dos Santos pode ter-se decidido a comportar-se como um cidadão normal, mas ainda é o Presidente da República. E, nessa condição, não se pode exigir que ele vá espetar-se numa qualquer espelunca.
Leia mais sobre o assunto em www.semanarioangolense.com
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