«Angola, que viabilidade, que prospectivismo!», por Eugénio Costa Almeida
11-11-2005 | Fonte:
Há trinta anos, em Luanda, o poeta e estadista Agostinho Neto dizia ao Mundo “ Proclamo solenemente, perante África e o Mundo, a independência de Angola”. No mesmo dia, em Huambo, Savimbi, em nome da Unita e da Fnla, fazia igual proclamação. Em Luanda nascia a República Popular de Angola; no Huambo a República Socialista Democrática Africana de Angola.
Trinta anos passados, e depois de uma estúpida e anacrónica guerra-civil, só existe uma República, um Estado: a República de Angola.
Trinta anos depois Angola ainda é, ou será, viável?
E o que se prospectiva para Angola nos próximos anos?
São duas questões que merecem uma análise rápida e sucinta.
Nestes últimos 30 anos Angola mais não representou que uma pálida imagem do que um Estado deve ser. Fraca representatividade política, deficiente formação social, uma economia de poucos em detrimento de muitos.
E é isto o que Angola deve – tem de – mudar nos próximos anos. Angola tem de ser mais que um Estado, uma Nação. Na actual conjuntura austro-africana em que Angola muito justamente se insere, parece ser um dos pouquíssimos Estados que poderão arrogar desse direito. Diria mais, e sem temer ser acusado de egocentrismo nacionalista, será mesmo dos poucos a nível de toda a África.
Tem que democratizar, de vez, o sistema político vigente, abrindo a política societária a todo um meio deficientemente igualitária onde possa assegurar “gostar de ser” e dizer que vive numa Democracia de pleno direito.
Não tem que ser, forçosamente, uma democracia ocidental. A sabedoria africana sabe como conviver democraticamente dentro dos parâmetros ancestrais que os sobados sempre souberam transmitir ao longo dos séculos; e eles também sabem o que é ser democrático; sabem como pôr o povo a gerir as sanzalas em perfeita comunhão com as chefaturas. Sabe discernir e colocar nos respectivos patamares, onde devem estar o poder, o trabalho e a sã convivência social, tão cara aos africanos.
Tem que abrir a sua emergente economia mais facilmente aos potenciais investidores externos, diluir até onde for possível, a corrupção, a burocracia e o compadrio; só ganha o país e, por extensão os angolanos. Não pode continuar a estar entre os países mais corruptos do Mundo.
Tem que formar e reformar a sociedade em prole do desenvolvimento nacional. Melhorar as condições económicas e sociais dos angolanos com a implementação de um mais adequado ordenado mínimo nacional, desenvolvimento do sector médico-farmacêutico, mais indústrias, logo mais qualificações técnicas, melhor investimento no sector educacional.
Uma economia forte, uma política transparente e um desenvolvimento social mais harmonioso tornam um país mais livre, mais justo e mais desenvolvido. E aqui volta à pergunta inicial. Angola tem viabilidade.
É evidente que sim. Assim o queiram os seus dirigentes e, acima de tudo, o seu mais importante produto nacional: o povo angolano. Ou como afirmaria um nosso compatriota estudante de Ciência Política “Ongola yipondola kwenda yikwete otchikele tch'okuvyala”*
*Numa tradução livre: Angola pode e tem o dever de vencer.
Artigo de opinião, assinado por Eugénio Costa Almeida
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