«Resgate pelos valores civicos e morais», por Kuxixima Kwamy
11-12-2005 | Fonte:
De um tempo a esta parte temos ouvido falar no resgate dos valores civicos e morais. Com efeitos este povo, num passado recente, se assim se pode considerar os 30 anos passados, tinha uma educação fora do normal. Todos que aqui aportavam ficavam vislumbrados pela sua educação, respeito, humildade e amor ao próximo. Não era normal ver pessoas gritando, o espirito de entre ajuda estava patente nas acções das pessoas. Era um orgulho para um senhorio se batessemos a sua porta solicitando a utilização dos seus lavabulos. A hospitalidade era tanta que não só saíamos daí satisfeitissimos pela atenção mas como, muitas vezes, também com a barriga cheia, etc. Os que tinham meios de transporte faziam do acto de dar boleias uma norma.

Assim era o povo angolano, pacato, humilde, atencioso, respeitoso. Os valores civicos e morais eram muito altos, e o respeito aos mais velhos em particular e ao próximo em geral era a tónica principal. Essa atitude reflectia-se no dia a dia e até nos negocios. Não estou dizendo que não se faziam sentir as burlas, os roubos, etc, mas eram feitos numa percentagem tão infima que era ignorada. Nas escolas a disciplina de “educação moral e religião” era obrigatória e ajudava os estudantes a criar a atitude de amor ao próximo, ensinava-os como portar-se na sociedade e incentivava o amor a Deus, ao próximo, a familia e a patria.

Infelizmente, a partir de 1975 a sociedade angolana começou a viver uma serie de convulsões que viriam a transformar por completo a tonica comportamental da sociedade.

Com a entrada dos 3 movimentos de libertação nacional o país começou a viver um caos autentico, veio a guerra civil e o imperio de violência, a lei das armas. A sociedade comecou a viver o deficite em termos de amor ao proximo, morria-se nas ruas como se fossem cães, o valor pela vida havia se transformado em banalidades.

Para complicar ainda mais as coisas o país todo transformou-se em campos de batalhas, onde era preciso matar para sobreviver. O indicies de fome e miseria subiram exponencialmente, ante a impotência de quem tinha como obrigação estabilizar a sociedade. O inimigo principal passou a ser o próprio angolano, e o estrangeiro desfilava pelo pais e era tratado como um ser sobrenatural ao qual era tudo permitido. A morte de um estrangeiro era motivo de muitos alarmes e conjecturas mas a de 100 angolanos era vista como coisa normal.

Infelizmente esse estado de coisas durou tanto que começaram a surgir refugiados, que do interior, onde a matança entre angolanos atingiu os indicies jamias vistos no mundo, procuravam refugio no litoral, fazendo com que as cidades que ai se encontram rebentassem pelas costuras. Os roubos, assaltos, assassinatos, o alto nivel de corrupção governamental a todos os niveis assim como nas diversas esferas do funcionalismo público tornaram a vida das populações ainda mais dificeis originando que imperasse um salve-se quem poder.

Como não podia deixar de ser os valores civícos e morais transformaram-se em história de conto de fadas, onde as expressões “sabes com quem estás a falar?”, “sabes quem sou eu?”, “se falares dou-te um tiro”. As pessoas so prestavam atenção ao outro mediante puma atitude de submissão, sendo a palavra principal a de “chefe”.

Hoje é normal vermos jovens fazendo necessidades maiores e menores em plenas ruas, (sem o minimo de pudor) ou nas paredes dos edificios, em plena luz do dia, sem sequer protegerem-se de quem quer que seja. Eu abro aqui um parentesis para dizer que quem de direito não tem feito nada para melhorar essa situação, porque se percorrermos a cidade veremos que só existem dois lavabulos públicos (no Largo do Kinaxixi, onde para fazer as necessidades menores me foi cobrada a quantia de 50KZ, e outro na Mutamba). Se uma pessoa pecorrer a cidade a pé saindo do Cazenga, Golfe 2, Hoji ya Henda, ou Rocha Pinto para o centro da cidade ou do vê-se obrigado a encostar a uma parede para fazer as necessidades porque os niveis de desconfiança são tão grandes que ninguém aceita permitir que alguém estranho use os seus lavabulos, para além de que a quantidade de água, diaria, para o saneamento básico ser pouquissima e extremamente cara.

De quem é a responsabilidade de dotar a cidade de lavabulos públicos? Poder-se-ia fazer um projecto de construção desses lavabulos, a um preço módico (2 Kz) e que para a sua gestão e limpeza empregar-se-ia as pessoas de certa idade (homens e mulheres, reformados, etc) para ganharem o seu pão de cada dia e não andarem a mendigar e a pedirem esmolas pelas ruas. Será que estes dirigentes que passam a vida passeando pelo mundo a fora, até para consulta medica as dores de cabeça, não conseguem ver as boas coisas, coisas básicas que lá há e pelo menos imitar, já que se está escasso de ideias inovadoras, aliás para se roubar e enriquecer num ápice, comprar Toyotas Prado, Hummers, Audis e fazerem o “show off” não é preciso pedir-se-lhes que aprendam. Como dizer as pessoas para não fazerem as necessidades fisiologias na rua se não se criam as condições para que nao o façam, não se constroem lavabulos publicos?

Eu acho que as campanhas de sessibilização devem ser acompanhadas de condições e mais tarde aplicação de multas aos prevaricadoes.
 
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