Conflito entre kimbanguistas ganha novos contornos
16-12-2005 | Fonte: Jornal de Angola
Duzentos e cinquenta membros da igreja Kimbanguista, fiéis ao líder espiritual Simon Kiangani, estão concentrados na fronteira da República do Congo Democrático. Os mesmos pretendem entrar em Angola, via Mbanza Congo, com o objectivo de invadirem a igreja kimbanguista em Luanda.

Uma acção semelhante aconteceu em Fevereiro último, no centro de conferências, no bairro do Golf, onde elementos treinados em artes marciais provenientes da RDCongo agrediram membros daquela instituição religiosa.

Esta informação foi prestada por dois responsáveis intermédios do colégio em exercício, órgão que dirige os destinos da igreja enquanto dura o diferendo, Sangu Alberto e José Mayomona, director provincial do coro central de Luanda e o director nacional adjunto do coro, respectivamente.

Tudo tem haver com a crise que dividiu a Igreja Kimbanguista em Angola desencadeada em Outubro de 2002. O diferendo obrigou um grupo de membros, a optarem por uma outra sede no bairro da Chicala, em Luanda.

A cisão, liderada por José António Teca, defende a legitimidade única do líder espiritual, excluindo os três irmãos, um comportamento que contraria, segundo os interlocutores, o preceituado da igreja Kimbanguista que defende a unidade dos 26 netos do líder fundador Simão Kimbango.

Numa declaração emitida durante os trabalhos da 18ª sessão do Conselho Nacional, realizados de 14 a 19 do mês passado, no centro kimbanguista de conferências do Golf, o líder espiritual foi acusado de ter desrespeitado os ensinamentos e recomendações dos seus antepassados nomeadamente os profetas Kisolokele Lukelo Charles, Dialungani Kianani Salomon e Dianguienda Kintima Joseph, que defendem o princípio da unidade e a legitimidade dos vinte e seis netos do profeta Simão Kimbangu.

O documento acrescenta ainda que o chefe espiritual faltou a verdade, a integridade moral e espiritual, estando completamente divorciado das suas atribuições, que é de velar pela unidade, harmonia e coesão da igreja, consolidando a fé dos cristãos através dos seus ensinamentos, mensagens de paz, de amor e de não violência.

Para os membros do colégio em exercício, presidido pelo Manuel Molumbule, líder Simon Kimbangu Kiangani aliou-se aos conhecimentos inconformados da descendência consanguínea directa de Simão Kimbangu, com os quais assinou um outro pacto de desviar e instrumentalizar a igreja kimbanguista para fins económicos, políticos e satânicos, violando a sagrada missão.

Para atender a grande preocupação dos mais de sete milhões de fieis espalhados em 45 países, e no âmbito da vontade suprema de devolver a paz e unidade à igreja, vários esforços têm sido desenvolvidos.

Neste âmbito uma comissão constituída pelo reverendo Luís Nguimbi, do Conselho de Igrejas Cristãs em Angola (CICA), e pelo reverendo Ntoni Nzinga, do Comité Inter-Eclesial para a Paz, deslocou-se no ano passado à Nkamba (RDCongo), sede da igreja Kimbanguista, com a missão de chamar a razão o líder espiritual. No entanto, este não honrou o compromisso.

Os membros do colégio em exercício solicitam mais uma vez o apoio da Cica, do Coiepa e do Governo da República de Angola para que usem a sua influência e sabedoria na resolução de conflitos por forma a que o diferendo que divide os kimbanguistas co-nheça o seu término e que a paz e unidade da descendência consanguínea do profeta Simão Kimbangu reine.
 
Comentários
Quer Comentar?
Nome E-mail ou Localização
Comentário
Aceito as Regras de Participação
Foto-Destaque
Foto-Destaque
Questionário
Quais os motivos que levaram Angola a obter resultados negativos na corrida ao CAN 2015
  • Os adversários são mais fortes
  • Falta jogadores de qualidade
  • Problemas administrativos
  • Equipa Técnica