Ana foi enterrada viva com Jonas a assistir na plateia
26-02-2006 | Fonte: Semanário Angolense (Severino Carlos)
Acabou-se o mistério em torno das circunstãncias da morte de Ana Isabel Paulino, uma das várias esposas que Jonas Savimbi teve. O Semanário Angolense soube, de fonte segura, que a única mulher a quem o antigo líder rebelde conferiu estatuto de Primeira-Dama acabou morta com requintes de crueldade: enterrada viva e com Savimbi a assistir tudo atrás de uns arbustos.

Mas, ao contrário das versões inicialmente avançadas, a morte de Ana Isabel afinal não aconteceu ainda antes das forças governamentais se terem reapossado das vilas de Andulo e Bailundo, em finais de 1999. A fonte, que acompanhou a «via sacra» de Jonas Savimbi até ao atoleiro do leste onde seria morto, garante que Ana Isabel também efectuou esse penoso percurso.

Mas ela já estava marcada para a morte. As suas relações com Savimbi já nunca seriam as mesmas depois de ela ter descoberto que ele andava de caso feito com a sua própria sobrinha, Sandra Kalufela, que passara a residir na casa oficial. Na pele perversa do patriarca africano, Savimbi, ainda ao tempo do Andulo e Bailundo, não se conteve e cortejou a jovem sobrinha da mulher, que à época andaria ainda pela casa dos vinte anos. Terá começado aqui uma surda disputa entre as duas mulheres, já que Sandra, ambiciosa e à revelia da tia, não se poupou a esforços para subir no clã de Savimbi. E viria, como se sabe, a conseguí-lo: de Savimbi teve um filho (Muangai, por sinal, o caçula) e, ao que consta, terá já na etapa final da vida do líder rebelde assumido um papel que mais nenhuma das outras mulheres teve, chegando a influenciar decisões políticas e militares.

Mas este foi, segundo a fonte do jornal, apenas um aspecto lateral de toda essa trama. Na realidade, à medida que as colunas de Savimbi foram caminhando em direcção ao leste em busca de paragens seguras, sempre com as Faa na sua peugada, Ana Isabel foi-se tornando cada vez mais fechada e taciturna. Vivia não apenas o dilema da mulher traída, como também remoía todo o passado controverso da sua vida ao lado do líder da Unita.

É conhecida a história. Antes de ter sido desposada por Jonas Savimbi, Ana Isabel Paulino foi namorada de Tito Chingunji. Como em muitos outros relacionamentos amorosos que manteve, Savimbi, o chefão todo-poderoso, arrogou-se o direito de passar a perna a alguém (vide caixa), e foi assim também com o jovem par que eram Ana Isabel e Tito.

Anos mais tarde, este «affaire» passaria por desenvolvimentos mais apimentados, com revelações feitas por Miguel Nzau Puna, segundo as quais Tito e Ana Isabel, com esta já na condição de esposa de Savimbi, tiveram encontros secretos «para matar saudades do passado», em Paris, em casa de Lukamba Paulo Gato.

Na altura, Lukamba Gato, acusado de ter dado com a língua nos dentes, era o representante de Savimbi na capital gaulesa, enquanto Tito Chingunji fazia o mesmo papel em Washington, onde chegou mesmo a ser cogitado pelos americanos como a personalidade ideal para suceder a Jonas Savimbi. Duas boas razões, por conseguinte, para que o líder não tivesse perdoado Tito Chingunji: delito político e passional.

Fica assim montado o puzzle do que se adivinha ter sido uma relação tumultuosa entre Savimbi e Ana Isabel, doirado com o verniz das conveniências. A fonte não diz se foi por influência de Sandra Kalufele, mas quando Savimbi viu Ana Isabel a tornar-se taciturna, cabisbaixa e bêbada, adivinhou que estava ali uma situação perigosa para si do ponto de vista político. Era a altura em que as colunas dirigentes da Unita, sob apertado cerco das Faa, começavam a ceder com capturas e rendições massiças. Várias mulheres e companheiras de importantes dirigentes da organização já haviam sido capturadas, com destaque para a sua sobrinha, Vivi Pena, mulher de Lukamba Paulo Gato, na altura secretário-geral do partido.

caso

Ora, Savimbi passou a temer que a próxima fosse justamente Ana Isabel e que ela, no estado anímico prostrado em que se encontrava, não pudesse resistir. Afinal, ela possuía importantes segredos. Foi essa a razão para Savimbi decidir-se pela sua eliminação. As nossas fontes contam que Ana Isabel foi executada por um importante oficial da guarda pretoriana do líder da Unita, tal como aconteceu com Bock e outros. Desta vez, contudo, com uma nota diferente. Ana Isabel foi levada para junto de um pequeno monte que tinha um buraco que servia de toca para certos animais. Não foi necessário tiros, armas brancas ou mocas. Ela foi, pura e simplesmente, lançada viva para dentro do buraco no monte que foi depois hermeticamente fechado. Jonas Savimbi terá assistido a tudo, por detrás de uns arbustos, a cerca de 100 metros do local fatídico.

Leia mais sobre o assunto em www.semanarioangolense.com
 
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