FAA podem limpar rebeldes na Cote d'Ivoire
05-03-2006 | Fonte: O Independente
O embaixador de Angola na Cote d´Ivoire, Carlos Belli Bello, afirmou em Abidjan que as Forças armadas Angolanas (FAA), são capazes de aniquilar em menos de 24 horas a rebelião que ocupa o norte daquele país da África Ocidental há três anos e seis meses.

“O nosso exército é capaz de fazer limpeza em menos de 24 horas! Que isso seja claro. O exército angolano com a sua experiência, é capaz de fazer limpeza longe das suas fronteiras”, declarou no fim-de-semana o diplomata em entrevista exclusiva ao diário de Abidjan “Notre voie” próximo da Frente Popular Ivoiriense(FPI, no poder).

“Se Angola tivesse enviado tropas à Cote d´Ivoire não haveria mais rebelião neste país e todos os que falam em nome dos movimentos armados iriam refugiar-se rapidamente nos países limítrofes”. Adiantou Belli Dello, desmentindo assim acusações, várias vezes formuladas pelas Forças Novas (ex-rebelião), sobre a implicação directa de Angola na crise ivoiriense.

O chefe da missão diplomática angolana na capital económica ivoiriense insistiu em dizer: “não enviamos tropas aqui”, deixando ao mesmo tempo entender claramente que o Governo angolano poderá, eventualmente, aceder a um tal pedido se o mesmo for endereçado directamente pelo chefe de Estado ivoiriense, Laurent Gbagbo.

“Se tivermos que enviar tropas fá-lo-emos a pedido expresso das autoridades ivoirienses e não às escondidas. Isso será sabido por todo o mundo, como o fizemos na República Democrática do Congo onde o nosso exército interveio para ajudar as forças de (Presidente) Kabila que tomaram o poder mais tarde, pondo termo a um dos regimes mais corruptos de África”, frisou o representante do Presidente José Eduardo dos Santos em Abidjan.

Belli Bello, que não hesita em se auto denominar “militante da revolução africana” para se distanciar do seu dever e reserva enquanto diplomata, criticou violentamente França que, de acordo com ele, manifesta abertamente a sua “hostilidade” aos que “desejam controlar a gestão da sua economia”.

“Os acordos assinados nos anos 60 e a instalação de bases militares estrangeiras no vosso país são uma ameaça permanente à vossa soberania nacional. Todas as acções que visam a defesa dos vossos interesses nacionais são vistas como actos hostis em relação a França que não quer deixar a sua bela Cote d´Ivoire”, disse o diplomata, que não se coibiu de atacar o “Pai da Nação” o defunto Presidente Félix Houphouet-Boigny, que considerou praticamente como um empregado de França.

“Aqui a potência colonizadora tinha uma dominação total e inteira nas alavancas do Estado. França decidia tudo. O Presidente Houphouet tinha secretários e conselheiros franceses. Nenhuma decisão era tomada sem o aval de Paris. No Conselho de Ministros a agende devia primeiro ir à Paris para a aprovação. É vergonhoso, mas era a realidade”, sustentou Belli Bello sem pestanejar.
 
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