Angolanos discriminados na Sonils
12-03-2006 | Fonte: Semanário Angolense (Ilídio Manuel)
Um clima de mal-estar está instalado no seio dos trabalhadores da Sonils, Lda uma empresa mista formada pela Sonangol e pela Intel (Integração Logística e Serviços), na sequência de alegadas violações aos direitos laborais de que estarão a ser alvo os quadros angolanos.

Fontes afectas à referida empresa denunciaram ao Seminário Angolense que os trabalhadores nacionais além de estarem a ser submetidos a uma elevada carga horária têm vindo a sofrer discriminações salariais em relação aos seus colegas expatriados. Dentre os estrangeiros a prestar serviços na empresa de apoio logístico às petrolíferas, figuram italianos, croatas e franceses.

Revelaram que têm sido sujeitos a uma carga de trabalho de mais de dez horas diárias, sem a correspondente remuneração, e de não estarem a ser pagas as horas nocturnas, conforme estipulam as leis vigentes no país. As fontes, que se refugiaram no anonimato, por temerem represálias, disseram que enquanto os salários entre os supervisores angolanos não passavam dos 2.500 dólares norte-americanos, os estrangeiros têm estado a auferir soldos entre Usd 5 e 10 mil. Além dos chorudos salários, os expatriados estarão a receber subsídios de Usd 1.500/mês, alegadamente para despesas de representação.

Queixaram-se de que muitos quadros nacionais não têm sido promovidos, apesar de se encontrarem há mais de sete anos na empresa e terem já dado provas da sua competência profissional. Na opinião das fontes, os profissionais angolanos estarão a ser preteridos, privilegiando-se outros critérios que não os da competência e da antiguidade. «Os familiares ou pessoas afectos aos círculos de influência do director-geral Fernando Fonseca e do seu adjunto Hélder Sousa têm sido os beneficiários nas promoções, chegando ao extremo das secretárias desses directores estarem a auferir vencimentos superiores aos dos supervisores de operações», denunciaram.

Dentre o rosário de lamentações, avultam as denúncias de que todos os trabalhadores serem obrigados a tomar as refeições na empresa, embora muitos se recusem a fazê-lo devido «à má qualidade da comida». Em caso de recusa, disseram, os mesmos estarão a sofrer descontos de Usd 150,00 mensais, cujos valores revertiam a favor da Novagest, a empresa contratada para servir as refeições. Existem suspeitas de que a referida empresa tenha como sócios invisíveis responsáveis da Sonils. As fontes disseram que a direcção da empresa, quando confrontada com tais situações anómalas, tem vindo a refugiar-se no argumento de que os quadros angolanos «não são trabalhadores da Sonils mas sim de empresas subcontratadas».

Suspeitam que os argumentos esgrimidos tenham resultado de acordos pouco transparentes entre a Sonils e as suas subcontratadas, nomeadamente a Angola Off Shore Services e a Servimar. Esta ideia é reforçada pelo facto dos trabalhadores destas duas últimas empresas, que constituem a maioria, serem tratados por «biscateiros», uma expressão pejorativa que, na opinião das fontes, visava discriminá-los em relação aos demais.

Há quem acredite que tanto a Angola Off shore Services como a Servimar não estejam alheias às discriminações e aos abusos protagonizadas pelos responsáveis da Sonils. Em relação à primeira, existem informações de que a mesma não esteja a honrar as suas obrigações para com os trabalhadores em matéria de Segurança Social, assim como de não estar a estender à assistência médica aos familiares directos dos mesmos.

As fontes disseram que os alegados atropelos aos seus direitos laborais eram do conhecimento da Comissão Sindical da empresa, mas que esta estará a ignorar as reclamações dos trabalhadores.
 
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