Paz em Angola: “Kamorteiro” destaca papel do Chefe de Estado
03-04-2006 | Fonte: Jornal de Angola (Fonseca Bengui)
O vice-chefe do Estado Maior General das FAA para a área administrativa, general Geraldo Abreu Muengo Ucuahitembo “Kamorteiro”, afirmou sexta-feira, em Luanda, que a diferença entre o 4 de Abril e os restantes processos de paz reside no facto desta data ter sido da “exclusiva responsabilidade dos angolanos”, desde o cessar-fogo até ao fim.
O oficial general falava durante uma palestra dirigida a oficiais-generais, superiores e subalternos dos três ramos das Forças Armadas Angolanas, o Exército, Força Aérea e Marinha de Guerra, no quadro das celebrações do dia da Paz e Reconciliação Nacional, que se assinala a 4 de Abril.
“Kamorteiro” destacou a participação, no processo, do Chefe de Estado, José Eduardo dos Santos, Comandante-em-Chefe das Forças Armadas Angolanas, que, “agindo como verdadeiro patriota, mandou calar as armas, para que as almas pudessem dialogar em prol da pátria”.
“Kamorteiro” declarou que a comunidade internacional foi convidada a testemunhar o processo só depois de toda a documentação fundamental ter sido elaborada no dia 30 de Março, data de rubrica dos acordos na cidade do Luena. “Mesmo assim, não faltou o cochichar que caracterizou os processos anteriores, dando a entender que o processo não teria pernas para andar, por terem estado somente os angolanos à testa”, afirmou.
“Kamorteiro” apontou ainda o facto de terem sido sobretudo os militares à testa das delegações, o que facilitou sobremaneira o processo. Pessoalmente acreditei no princípio segundo o qual só os que sabem fazer a guerra podem negociar a verdadeira paz”, disse.
Outra razão apontada para o sucesso do processo que levou aos acordos de 2002 foi o patriotismo, que definiu como sendo o “amor à Pátria acima de tudo”, porque, referiu, “a Pátria não é uma entidade política, mas sim um ente social, um património de todos”.
Ele indicou que as discussões no Luena esforçavam-se em pôr, acima de tudo, os valores unificadores dos angolanos, acrescentando que se tivesse havido uma supervisão estrangeira teria sido mais tempo perdido e haveria mais custos para o Estado.
Outro ponto relevante, de acordo com “Kamorteiro”, era o facto de haver plena consciência de que, conquistada a independência nacional, em 1975, a paz punha-se como um imperativo para o alcance de uma autodeterminação integral. Quanto aos benefícios do 4 de Abril, o vice-chefe do Estado Maior das FAA apontou a paz como o bem maior. “Enquanto a guerra era um factor de divisão, a paz é um factor de união”, afirmou.
Segundo “Kamorteiro”, a paz “deu prestígio internacional ao país, e o mundo constata hoje que os angolanos não são seres feitos apenas para a pólvora”, citando como exemplo a eleição de Angola a membro não permanente do Conselho de Segurança da ONU.
Outro exemplo é a constituição no país de uma força específica de apoio à paz, que pode ser convidada a participar numa intervenção do género. No plano interno, o general “Kamorteiro” declarou que o 4 de Abril trouxe a livre circulação de pessoas e bens, a extensão da administração do Estado a todo o território, o exercício harmonioso da democracia.
Quanto às forças armadas, o oficial-general das FAA apontou a restruturação e modernização em curso, o projecto de novos quartéis, a possibilidade do militar viver com a sua família e participar directamente na educação dos seus filhos, o aumento gradual do salário como benefícios decor-rentes da paz. A palestra, subordinada ao tema “O significado histórico do 4 de Abril e os seus benefícios na sociedade angolana, particularmente nas Forças Armadas”, realizada no anfiteatro do Estado Maior General, foi moderada pelo chefe do Estado Maior da Força Aérea, general Pedro Neto.
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