Crime ambiental em Luanda : O lixo chega às praias pelas valas de drenagem
22-04-2006 | Fonte: Semanário Angolense
No dia a seguir à enxurrada de 3 de Abril de 2006, como era feriado, um nosso colaborador decidiu andar pelas praias da Samba, Corimba e Mussulo, e pelo que viu, chegou à conclusão de que a situação é catastrófica. «Estamos em presença de um Crime Ambiental de alto grau», sentenciou. Segundo ele, é preciso convencer a quem de direito para uma acção rápida e urgente.
As valas estão a transportar o lixo de milhões de pessoas que vivem em bairros sem saneamento básico. Ou seja lixo sem qualquer tipo de tratamento. O lixo no mar e praias vai custar caro a toda a comunidade de Luanda, pela perda do nosso potencial estético e turístico, qualidade da água do mar e das praias, custos envolvidos na limpeza pública e doenças associadas ao lixo.
O lixo no mar estraga as embarcações, mata os peixes e dificulta a pesca. A ingestão de lixo por peixes provoca inanição, sufocação, infecções internas, morte. Esta reportagem fotográfica, foi feita por Victor Bettencourt retrata de algum modo os problemas que o lixo transportado pelas valas da Corimba estão a causar ao ambiente marinho, no que diz respeito ao impacto ambiental e sócio-económico.
As valas devem existir para a drenagem pluvial e não para o transporte de todo o lixo orgânico e inorgânico dos bairros da cidade de Luanda. Estas valas aumentaram e facilitaram o fluxo de lixo para a nossa costa litoral.
Toda a Baía do Mussulo, as praias do Benfica, da Corimba, da Samba, da contra costa do Mussulo, da Chicala e até da Ilha de Luanda estão a ser afectadas pela grande quantidade de lixo que se descarrega no mar. Lixo, lixo e mais lixo A empresa de Limpeza e Saneamento de Luanda (Elisal) reconheceu, nesta semana, que os amontoados de lixo que voltaram a invadir as zonas urbanas e sub-urbanas da capital se devem a incapacidade técnica e operacional das operadoras sub-contratadas para o efeito.
«Infelizmente, por razões operacionais e técnicas, elas (as operadoras) ainda não se sentem à altura para entrar para o novo modelo», disse a porta-voz da Elisal, Stela Silveira.
Segundo a mesma fonte, isso tornava difícil a implementação dos princípios previstos no novo modelo de recolha de resíduos sólidos na capital, porque as operadoras dizem não estar preparadas.
O novo modelo deve entrar em funcionamento em toda a extensão da província no mês de Junho, mas do jeito em que as coisas estão, não se sabe se este prazo será viável. Os amontoados de lixo que regressaram a Luanda, depois de um período de graça, que indicava que a recolha e tratamento de resíduos sólidos produzidos em Luanda era já um problema resolvido, terão tido também a sua quota-parte na disseminação da epidemia de cólera em Luanda.
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