Ministro da Defesa garante que Unita ainda tem armamento escondido
27-04-2006 | Fonte: VOA (Diogo Paixão)
O ministro da defesa, reafirmou ontem na Assembleia Nacional, que a UNITA ainda possui armamento no Togo e paióis escondidos em algumas regiões de Angola.

Kundi Payhama terá declarações durante o debate parlamentar sobre a segurança interna e externa do país, realizada por iniciativa da UNITA e que se realizou à porta fechada.

Fontes parlamentares que assistiram ao debate garantem que o ministro da defesa reafirmou igualmente que alguns generais das Forças Armadas Angolanas que pertenceram ao antigo movimento rebelde continuam a fazer política nos quarteis, ameaçando a população de que a UNITA voltaria à guerra em caso de uma nova derrota eleitoral.

Kundi Payhama denunciou pela primeira vez esta situação em Cabinda, durante a visita que há pouco mais de uma semana efectuou àquela região, mas a UNITA reagiu prontamente, desmentindo o ministro.

Segundo as mesmas fontes, o ministro da defesa teriam igualmente denunciado no Parlamento que algumas estruturas da Brinde, antigo serviço de segurança da UNITA, continuam activas.

Perante tais denúncias, as nossas fontes acham que o MPLA teria ganho muito mais, se o debate parlamentar sobre a segurança interna e externa do país fosse aberto aos jornalistas.

Para o líder da bancada parlamentar da UNITA, Alcides Sakala, as declarações do ministro foram pouco responsáveis e enquadram-se na estratégia do governo, visando criar apenas criar um ambiente psicológico desfavorável ao seu partido, tendo em conta as próximas eleições.

«As declarações do senhor ministro da defesa não têm fundamento nenhum, foram muito infelizes. A UNITA entregou todo o seu material de guerra às Nações Unidas, no quadro do Protocolo do Luena e a Brinde já não existe. A UNITA é hoje um partido democrático, o nosso presidente foi eleito democraticamente, o que significa que estamos a viver mudanças profundas. Os homens que fizeram parte das FALA foram desmobilizados e integram hoje as Forças Armadas. Paióis também não existem, portanto, todo este quadro apresentado pelo ministro da Defesa visa desenhar algumas estratégias eleitoralistas e criam algumas apreensões»-acrescentou.

No que diz respeito concretamente ao «caso Miala», as fontes que temos vindo a citar garantem que o primeiro-ministro, a quem coube responder as preocupações dos deputados, não avançou nada de novo.

Segundo as mesmas fontes, Fernando da Piedade «Nandó», disse aquilo que já é do domínio público, sem avançar outros elementos relevantes.
 
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